03/07/2019 as 09:40

Agenda Cultural

Olha a Ressaca do São João!!

É verdade! Estendendo o ‘forrozear’, Nanã Trio, Bob Lelis e a Rural do Forró comandam a festa no dia 6.


Olha a Ressaca do São João!!Foto: Pritty Reis

Estender a famigerada ‘melhor época do ano’ é coisa fácil e de fazer ordem no intitulado ‘país do forró’. Pois, é ainda no clima de festejos juninos, ardência da fogueira e mesa farta de delícias que tem como base o milho, que o Nanã Trio e a Rural do Forró comandam a Ressaca de São João, no Vila Izaura, no próximo sábado, 6, a partir das 18h. Enquanto a sonoridade é comandada por eles, o cardápio de gostosura é de responsabilidade do chef Marcelo Britto.


Após participações calorosas e dançantes nos palcos do Forró Caju e do Arraiá do Povo, o Nanã Trio ressalta o significado em compartilhar dos tradicionais festejos juninos na capital. “Cantar um repertório com músicas tão nossas é muito bom, é divertido e verdadeiro. Há um envolvimento afetivo entre a gente e o forró. O São João é algo que experimentamos desde crianças, vendo nossos pais, nossos avós, à beira da fogueira. Estar envolvidas nesse contexto é muito importante para nós. Conhecemos outros artistas e pessoas que carregam o mesmo amor por essa tradição, compartilhamos com ela nossa alegria e, principalmente, nossa música. Agora é hora de estender um pouquinho mais esse momento, por isso resolvemos fazer uma grande ressaca do forró, para sentir esse gostinho ainda mais”, afirmou Rebecca Melo.


No repertório da apresentação a título de Ressaca de São João, vai de canções do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, a artistas sergipanos, a exemplo de Joésia Ramos e o saudoso Ismar Barreto. “O repertório é cheio de músicas tradicionais de grandes forrozeiros, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. Tem também Chico César, Amelinha, entre outros. E, claro, música sergipana também, com músicas de amigos e compositores que admiramos, como Joésia Ramos, Ismar Barreto, João Alberto Silveira, Chiko Queiroga e Antônio Rogério”, disse Rebecca.


Quando ainda era verão e nem águas de março o fechavam, o projeto Rural do Forró já anunciava e celebrava a alegria junina, tendo o artista Iguassu Cândido, ou seja, o Bob Lelis, na condução, convite e arrasta de gente ao Ensaios sonoros. “Como todo mundo sabe e a gente faz questão de anunciar em cada nova intervenção com a Rural pelos espaços públicos, o projeto tem por objetivo proporcionar a aproximação do artista nordestino com o público. E dessa interação aflora mais e mais a nossa identidade cultural, que é a grande finalidade de tudo isso. Fazer parte dos festejos juninos certamente é a cereja do bolo de qualquer projeto que tenha o forró como mote. Mas, no caso do nosso projeto, essa presença é apenas a consolidação de um trabalho que vamos fazendo durante todo o ano com os Ensaios abertos ao público”, destacou Bob Lelis.


E é com o desígnio de ser transeunte permanente, condutor de alegrias e passageiros de lugares, que o projeto segue as andanças pela capital e inteiro o ano inteiro. “É o objetivo do projeto fazer com que nossa cultura seja consumida durante o ano todo, fugindo desse costume de colocar o forró como uma música atrelada apenas ao período das festas juninas. E por ser itinerante, passamos a circular em outros municípios sergipanos também, a exemplo de São Cristóvão (Fasc), Itabaiana (Bienal), Santa Luzia do Itanhi (Forró do Engenho), Itabi (São João), bem como em Penedo - AL (Circuito de Cinema). A ideia é buscar novos parceiros que viabilizem a logística para localidades mais distantes, pois o projeto é autônomo e mantido apenas com recursos próprios”, explicou.


Para o Nanã Trio, o compartilhamento do palco e encontro sonoro com a Rural do Forró é parceria firme e duradoura. “Na companhia do nosso querido Bob Lelis, um grande amigo, incentivador, um cara que está movimentando a cena cultural sergipana. Nossa parceria já está firmada há bastante tempo e segue firme nesse projeto”, declarou.

Movimento
“A Rural do Forró é um projeto que acabou virando um movimento cultural. Por isso, são as pessoas (público e artistas) que dão vida e beleza ao projeto. Enquanto estivermos juntos, seremos cada vez mais fortes. Acho que a Rural é apenas o espelho do que já somos, fortes e belos. Graças a Deus estamos percebendo isso!”, falou Bob Lelis sobre a dimensão que o projeto tomou após intervenções nos cantos da cidade, cujo início ele conta a seguir.


“Iniciamos os ensaios em intervenções espaçadas durante todo o ano de 2018, entre os Arcos da orla e o Centro Cultural J Inácio. Inicialmente as pessoas se aproximavam, para ver aquele veículo antigo, estilizado, colorido e com elementos que remetiam à tradição nordestina. Mas, logo que ouviam os primeiros acordes da sanfona ou os versos de um cordel declamado naquela atmosfera especialmente preparada com tantos nomes da nossa arte local, logo eram despertadas as memórias afetivas e todos iam se juntando em frente pra curtir aquele momento de puro pertencimento. Quando iniciamos os Ensaios de Janeiro de 2019, ali na entrada da Praia da Cinelândia, em todas as tardes de sábado de Janeiro, já tínhamos um público fiel e querido, mas o que nos surpreendeu foi a grande receptividade e interação do público jovem que também se identificava com todos aqueles elementos da cultura nordestina em movimento na música, na dança e na poesia apresentadas”, disse.


E num convite à Nação Forrozeira e demais expressões culturais, ele oferece e recebe abraços, convidados de voz e sons instrumentais numa grande e colorida festa onde quer que estacione. “Por ser um projeto cultural, outros elementos representativos da nossa cultura também são bem-vindos, é claro. Em Penedo, por exemplo, Zeza do Coco realizou uma apresentação belíssima, na qual a Rural foi palco e cenário para o coco de roda. Já na Bienal de Itabaiana, fomos presenteados com a riqueza da literatura de cordel e com uma apresentação de quadrilha junina. Nos ensaios da Rural ficamos eternamente agradecidos pela presença do grupo Burundanga percussivo apresentando a riqueza rítmica de Sergipe e do Nordeste. Sem esquecer dos alunos do conservatório de música de Sergipe que se uniram ao projeto trazendo as técnicas da música clássica para o forró. Oriundo da Bahia, trazendo uma mistura única de ritmos na junção do berimbau aparelhado com o violão, o Duo Bavi se juntou a nossa Trupe da Rural no último ensaio aberto realizado no Parque da Sementeira”, contou.

Por Gilmara Costa/Equipe JC











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