26/03/2018 às 10h02 - Artigos

Editorial: Descaso

Quem trafega pela BR-101 já se acostumou com um cenário desolador: em Sergipe, as obras de duplicação não terminam nunca.

Por: JornaldaCidade.Net

Quem trafega pela BR-101 já se acostumou com um cenário desolador: em Sergipe, as obras de duplicação não terminam nunca. Enquanto em outros Estados os serviços foram concluídos ou estão bem adiantados, em Sergipe estão paradas pela enésima vez. É sempre a mesma coisa: retoma, paralisa, retoma, para de novo. 

Na Bahia, boa parte da rodovia, no trecho norte, está em duplicação. Homens e máquinas agilizam a obra, que segue sem interrupção desde que foi iniciada, no ano passado. Corre-se o risco da duplicação na Bahia, a exemplo de Alagoas e outros Estados, ser concluída antes de Sergipe. Uma vergonha.

Em janeiro, a Justiça Federal em Sergipe determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) concluísse em 120 dias as obras de duplicação da BR-101. A decisão valia para o trecho entre Pedra Branca, no Município de Laranjeiras, e Maruim. A decisão foi cumprida?

A justiça percebeu o que todo sergipano já sabia: a não conclusão da obra, que se encontra paralisada há vários anos, lesiona o patrimônio público e a moralidade administrativa. É um absurdo o que ocorre com a duplicação da BR-101 em Sergipe, um verdadeiro caso de polícia. O país já teve quatro presidentes da República e essa obra não termina.

O Governo Federal afirma que as empresas que formam o consórcio da obra disseram que não possuem condições financeiras para seguir no projeto. Essa explicação surge sempre que se questionam atrasos e paralisações. Os trechos que foram tocados pela engenharia do Exército foram concluídos, os demais ficaram no meio do caminho.

Os motoristas que trafegam pela rodovia reclamam especialmente dos trechos Laranjeiras-Carmópolis e Propriá-Capela, com buracos, falta de acostamento e sinalização precária. A obra, que já engoliu cifras extraordinárias, abrange 190 quilômetros em cinco lotes de pavimentação e mais quatro de construção de pontes e viadutos entre as divisas com Alagoas e Bahia. 

O descaso de Brasília com essa obra é algo a ser estudado. Nem mesmo o fato do governador de Sergipe e do presidente da República serem filiados ao mesmo partido ajudou a resolver essa novela. As obras de duplicação se arrastam há anos e as condições das estradas não são nada boas. A retomada é onerosa: o abandono da estrutura-física montada quando as obras foram iniciadas obriga o governo a gastar mais do previsto. 

São vários trechos de obras inacabadas, com ferros expostos à oxidação, como ocorre na duplicação de pontes, que exigem serviços adicionais. A classe política sergipana precisa retomar as investidas em Brasília e forçar o Governo Federal a rever seus planos. Exigir que os serviços sejam retomados e que não sejam abandonados em seguida.

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