29/03/2018 às 10h00 - Artigos

Pedras, bolinha de papel e a grande mídia manifestante

Militantes e populares, inclusive mulheres, foram intimidados com chicotes, pedras e ovos, e até mesmo espancados barbaramente por milicianos, que demonstraram total desprezo e ódio à democracia.

Por: Geraldo Magela Ferreira

Desde que começou a percorrer os estados do sul do país, em 19 de março, a caravana do ex-presidente Lula vem sendo alvo de ataques, agressões e atentados violentos engendrados e praticados por grupos da extrema direita. Militantes e populares, inclusive mulheres, foram intimidados com chicotes, pedras e ovos, e até mesmo espancados barbaramente por milicianos, que demonstraram total desprezo e ódio à democracia.

 

Os fatos geraram indignação e protestos nas redes sociais e na imprensa alternativa, até mesmo no exterior. Já os veículos da grande mídia, após um pesado silêncio diante da violência praticada contra o ex-presidente Lula, professores, agricultores familiares, estudantes, militantes do PT e dos movimentos sociais, passaram a dar uma maior cobertura dos atentados.

 

Ironicamente, ou talvez seja cara de pau mesmo, a grande mídia passou a tratar em suas reportagens e análises esses agressores carregados de ódio como “manifestantes”. Bem ao estilo da nossa grande imprensa “manifestante”, principalmente contra o PT e a esquerda.

 

São os dois pesos e as duas medidas da mídia brasileira. Algo que todos nós conhecemos bem. Quando as legítimas manifestações populares pelo direito à terra, moradia, educação, em defesa das leis trabalhistas e dos direitos sociais reagem à repressão, os nossos manifestantes são tratados como “terroristas”, que apanharam brutalmente da polícia porque assim o mereceram. Não há a mínima apuração da verdade.

 

Mas não é de hoje que a grande mídia age de maneira parcial, especificamente nos embates esquerda/direita. Quem não se lembra daquele episódio cômico durante a campanha de 2010, quando o tucano José Serra foi atingido por, pasmem, uma bolinha de papel? Foi uma das maiores coberturas da grande imprensa.

 

Veículos como a Globonews ficaram praticamente o dia inteiro apurando e investigando o fato. Nem mesmo o terrível atentado contra o jornal francês Charlie Hebdo recebeu tanta atenção. E quem teria atirado a tal bolinha virou um perigoso terrorista. Chegaram até a inventar uma teoria de que o objeto na verdade seria um grampeador. Tudo isto porque um dos ícones do PSDB foi “agredido”.

 

Se hoje existem estes violentos grupos de extrema direita atuando para tentar intimidar e impedir que a caravana do mais popular dos líderes políticos do Brasil leve a sua mensagem à região Sul, uma grande culpada disso é a própria mídia tradicional (e tradicionalmente golpista).

 

Desde o mensalão, passando pelas manifestações de 2013, operação Lava Jato e o golpe parlamentar/midiático que tirou do poder uma presidenta eleita legitimamente e sem que tenha cometido crime, veículos da grande imprensa manipulam informações, distorcem fatos e promovem uma apologia ao ódio, principalmente contra o ex-presidente Lula, que é vítima de uma perseguição implacável por parte de setores do Judiciário.

 

A mídia conservadora manipula e distorce tanto que transforma até mesmo extremistas de direita em simples e singelos “manifestantes”. Só falta agora convencer a opinião pública de que os chicotes e as pedras usadas contra Lula e seus apoiadores eram na verdade “bolinhas de papel”.

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