02/04/2018 às 09h45 - Artigos

EDITORIAL: A hora e a vez da Mata Atlântica

A Mata Atlântica também merece uma atenção especial, como a que foi destinada aos nossos recursos hídricos.

Por: JornaldaCidade.Net

No país inteiro se viu uma intensa mobilização em torno do Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22 de março. A data foi reforçada com o 8º Fórum Mundial da Água e uma ampla discussão sobre os caminhos da preservação e do combate ao desperdício. A Mata Atlântica também merece uma atenção especial, como a que foi destinada aos nossos recursos hídricos.

Segundo estimativa recente, Aracaju conta com um percentual de preservação de 11% da Mata Atlântica. É no Município de Santa Luzia do Itanhy onde está a maior área proporcional de preservação, com 27,9% de vegetação natural, em comparação com a área original. Mas o que se nota é que a Mata Atlântica está sendo dizimada em Sergipe.

Esse crime contra o meio ambiente é cometido quase todos os dias por quadrilhas especializadas em roubar a madeira de lei ou por fazendeiros, que trocam árvores por pastos. É na região Sul, onde ainda há remanescentes deste tipo de vegetação, onde ocorrem os maiores abusos. A devastação é conhecida do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que tem dificuldades em fiscalizar todo o Estado.

O problema que afeta a fiscalização em Sergipe é que o Ibama possui uma equipe pequena e, quando age, muitas vezes é ameaçada. O próprio Ibama admite que seria necessária uma equipe bem maior para atender a demanda. Para evitar que o desmatamento tome proporções mais alarmantes o órgão é obrigado a firmar parcerias, o que reduz o impacto da devastação.

Em Sergipe, as áreas remanescentes da Mata Atlântica são pequenas e fragmentadas. A ação de quadrilhas e a falta de consciência de alguns proprietários de áreas particulares têm gerado um impacto preocupante. A fauna e a flora estão sendo destruídas e é quase impossível reabilitar o solo degradado. Quando a mata é derrubada, não existem ações que garantam o restabelecimento da cobertura vegetal. O reflorestamento, que deveria ser obrigatório, não é executado.

O Ibama possui atualmente cerca de oito mil hectares de áreas protegidas em Sergipe, incluindo a reserva da Serra de Itabaiana, o que cria sérias dificuldades na hora de fiscalizar e proteger a Mata Atlântica. A Mata Atlântica ocupa atualmente menos de 7% de sua extensão original no país, dispostos de forma fragmentada ao longo da costa brasileira. A comercialização ilegal de espécies vegetais e a extração de madeira de lei de forma irracional, a exemplo do que ocorreu com o pau-brasil, são problemas que o Governo Federal e os municípios não conseguem evitar. 

O Ibama precisa ampliar seus quadros para que possa combater de forma mais eficaz esse crime. E estados e municípios não podem ficar de braços cruzados. O país precisa dessa floresta e não tem sabido protegê-la.

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