04/04/2018 às 10h40 - Artigos

EDITORIAL: Chega de ódio e intolerância

Hoje, quando se comemora 50 anos da morte de Martin Luther King Jr., o Brasil vive mergulhado em ódio, intolerância e racismo.

Por: JornaldaCidade.Net

O mundo comemora 50 anos da morte de Martin Luther King Jr., um dos principais líderes dos direitos civis nos Estados Unidos, que travou uma luta histórica pela igualdade de direitos para negros e brancos nos Estados Unidos. Sua luta pela igualdade racial é exemplo no mundo inteiro. Hoje, quando se comemora 50 anos da morte de Martin Luther King Jr., o Brasil vive mergulhado em ódio, intolerância e racismo.

Nas redes sociais quase todos os dias há demonstrações de racismo, de preconceito contra nordestinos, de ódio com quem não concorda com determinada corrente ou pensamento político. Trata-se de um retrocesso absurdo. Essas ideias conservadoras, muitas vezes até fascistas, vão ganhando terreno e adeptos de uma forma preocupante. Até mesmo jovens aderem a esse retrocesso, muitas vezes sem saber que está pisando num terreno minado. 

Mas não é apenas nas redes sociais que o preconceito existe e assusta. Por mais que se despreze e condene, não há como evitar o preconceito. A barreira montada para discriminar pessoas de cor ou portadores de deficiências especiais é encontrada em todos os lugares: nas escolas, nas ruas, nos clubes e até na hora da contratação. O preconceito no Brasil é tão vasto e abrangente que é necessário se chegar ao extremo de criar leis para torná-lo menos atuante. Nascer negro ou deficiente em Sergipe não é diferente: os obstáculos surgem a todo momento.

Uma das expressões mais corriqueiras ouvidas no Brasil, quando o assunto é racismo, é a que aponta o brasileiro como alguém sem preconceito. Muitas pessoas refutam a existência de racismo e afirmam que aqui existe uma democracia racial. Engano. A pele escura é empecilho na hora de tentar uma vaga numa loja. A discriminação é praticada de forma implícita. O racismo em comentários absurdos relacionados com a morte de Marielle Franco, no Rio de Janeiro, é apenas a ponta do iceberg.

Durante muito tempo vingou no Brasil a tese da democracia racial. A diversidade da população servia como um esteio para amparar dentro das classes mais pobres os tidos como “diferentes”: negros, pardos e índios. Mas o quadro mudou e dá para perceber que a intolerância racial vive seus piores dias e exige mudanças na legislação penal. A falta de punições rigorosas permite que pessoas físicas e jurídicas cometam ofensas contra negros e nordestinos. 

Ofensas contra nordestinos estão se tornando assustadoramente rotineiras. Um dos casos mais famosos, que chamou a atenção, envolveu uma estudante de Direito que acabou sendo condenada a uma pena de um ano, cinco meses e 15 dias de prisão pelo crime de racismo. Em 31 de outubro de 2010, na rede social Twitter, a universitária escreveu que “nordestino não é gente. Faça um favor a São Paulo: mate um nordestino afogado!”. O que mais choca é que as provocações contra nordestinos continuam, oito anos depois.

É preciso que a legislação se torne mais rigorosa contra ofensas deste tipo. Não há mais como suportar racismo, preconceito e até apologia ao estupro nas redes sociais e no ambiente de trabalho. Chega de ódio e de intolerância.

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