30/05/2018 as 10:15

EDITORIAL: Caminhoneiros na contramão

O país não suporta mais essa queda de braço entre uma parcela dos caminhoneiros e o Governo Federal.


O país não suporta mais essa queda de braço entre uma parcela dos caminhoneiros e o Governo Federal. Enquanto as entidades que representam a categoria desmobilizaram parte dos caminhoneiros após o acordo, outros motoristas preferiram radicalizar, permanecendo com bloqueios nas rodovias.

Ontem a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) divulgou a presença de infiltrados na paralisação dos caminhoneiros e pede o fim do movimento. Segundo a entidade, integrantes da categoria “estavam sendo forçados e ameaçados a permanecerem parados e que grupos estranhos ao movimento da categoria se infiltraram na paralisação com outros objetivos do que foi apresentado na pauta inicial”.

A CNTA avalia a paralisação como bem sucedida e critica a continuidade do movimento. Segundo a entidade, os caminhoneiros conseguiram diversos avanços na negociação com o governo e apoio da sociedade. Mas a partir de agora a permanência dos bloqueios estaria trazendo prejuízos ao movimento.


Segundo a nota, a “pauta inicial e prioritária foi plenamente atendida pelo governo. Atingimos nossos objetivos, porém, a partir deste momento, entrando no 11º dia de paralisação, os caminhoneiros, suas famílias e toda a sociedade começam a sofrer um desgaste desnecessário. Tudo que foi conquistado até agora, como a boa imagem da categoria perante a população e as reivindicações atendidas, corre o risco de se perder”.


O presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam), José da Fonseca Lopes, também denunciou a presença de infiltrados nos bloqueios de rodovias em diversos locais do país. Segundo ele, haveria grupos “intervencionistas” prendendo veículos para que não abandonem os pontos interditados. E o que fazer para esse movimento acabar? O Brasil sangra e os caminhoneiros esperam o caos total.


A continuidade da paralisação dos caminhoneiros pode significar falta de carne nas prateleiras dos açougues e supermercados. Representantes do setor admitem também aumento de cerca de 30% no preço dos produtos. A falta de gasolina, gás de cozinha, frutas e verduras já é uma realidade. Mas o pior está por vir. Logo faltará, além de carne, frango e ovos.


O prazo para normalização das atividades e transportes de carga seria quinta-feira, 31. A partir desse prazo espera-se um cenário perturbador no país. Os relatos de produtores e criadores é que, na melhor das hipóteses, até quinta-feira desta semana eles não terão como tratar mais de um bilhão de aves e 20 milhões de suínos. O setor entrará em colapso e irão morrer de forma natural por desnutrição. Os caminhoneiros estão pregando o caos total. E se não sair uma solução, o caos virá.