01/06/2018 as 10:44

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EDITORIAL: José Carlos Teixeira, o resistente


Falecido anteontem, 29, e sepultado ontem, 30, em Aracaju, José Carlos Mesquita Teixeira, 82 anos, talvez seja o melhor nome de político do Estado para definir e bem contextualizar o que seja um homem democrático, capaz de liderar em Sergipe um grupo de resistentes em um período tenso da história do Brasil em Sergipe. Zé Carlos, como sempre foi chamado por parentes e amigos, era um democrata convicto.

Foi deputado federal, vice-governador, prefeito de Aracaju, secretário de Estado da Cultura, fundador da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe (Scas), empresário e seu nome vale ser lembrado por isso. Mas sempre cabe uma boa lembrança dele como fundador do MDB, o único partido de oposição ao regime militar. Ele poderia ter buscado o caminho mais simples de se projetar politicamente, aliando-se àqueles que derrubaram João Goulart. Mas optou perlo caminho mais difícil, o da honrada resistência à ditadura. E o fez bem.

José Carlos Teixeira buscou aqueles dispostos à luta de organizar o MDB, em 1966, e atraiu também jovens rebeldes, militantes de agremiações políticas clandestinas de esquerda e os puxou para a rua, a praça, que eram os palanques daqueles cidadãos que desejavam ver a democracia triunfar, o que somente aconteceu em 1988, com a volta do Estado Democrático de Direito.

Nos chamados anos de chumbo do regime militar, corajosamente Teixeira defendeu os interesses de Sergipe, do Brasil. Não se curvou. Esteve ao lado dos presos políticos sergipanos e brasileiros, denunciou a prática de tortura a perseguição àqueles que lutavam em defesa da volta da democracia. Esteve na campanha pelas diretas ao lado daqueles que entendiam que o Brasil precisava de democracia e combatiam o regime de exceção.

Zé Carlos foi um líder político forjado na luta, puxou para perto de si aqueles que desejavam entrar na peleja contra a ditadura, mas que nunca esqueceu a figura política de seu pai, o empresário Oviêdo Teixeira, fundamental na viabilização do grupo de oposição em Sergipe. Oviêdo concordou com a posição do seu filho de criar o MDB e sabia que esse seria um ato muito ousado.

Contou com aliados como Valter Batista, Ariosto Amado, Jackson Barreto, Leopoldo Souza, João Augusto Gama, Seixas Dória, Benedito Figueiredo, Lucilo da Costa Pinto, Laonte Gama, Guido Azevedo e buscou o empresário Antônio Carlos Franco para seu partido. ACF foi eleito deputado federal em 1986, quando Zé Carlos disputou o Governo de Sergipe.

José Carlos Teixeira tem uma grande história para fazer com que pesquisadores se debrucem sobre ela e digam quem foi ele. Com certeza conquistará um título de grande projeção, tipo “Senhor Democracia”, “Senhor Resistência” ou “Senhor Coragem”, pela sua conduta no enfrentamento à ditadura e à doença que o tirou do nosso convívio.

Teixeira é motivo de orgulho para os sergipanos, em especial para a sua família. É um resistente.