08/06/2018 as 09:46

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Aids completa 37 anos no mundo


Há 37 anos, no dia 5 de junho de 1981, o Centro de Controle de Doenças de Atlanta, nos Estados Unidos, descobriu em cinco jovens uma estranha pneumonia que até então só afetava pessoas com o sistema imunológico muito debilitado. Um mês depois, foi diagnosticado um câncer de pele em 26 jovens americanos. A epidemia de AIDS continua a ser um dos grandes desafios para a saúde global.

Epidemia

Aproximadamente 34 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo. Antigamente, era raro alguém falar que tinha um amigo ou colega ou mesmo um familiar, vivendo com o HIV. Hoje, a AIDS está cada vez mais perto de nós, seja na comunidade onde moramos, na comunidade escolar, no ambiente de trabalho ou na nossa própria família.

Não podemos deixar que a AIDS vire uma simples doença na vida das pessoas.

Apesar de grandes avanços no tratamento com os medicamentos antirretrovirais, é importante lembrar as dificuldades que ainda temos no seu enfrentamento. Atitudes de discriminação ainda existem.

As pessoas vivendo com HIV enfrentam dificuldades de acesso a alguns especialistas . Dificuldades de descentralização dos serviços para cidades do interior, o que sobrecarrega o atendimento nas capitais. Alguns programas de enfrentamento ao HIV em municípios e estados, apesar de terem recursos financeiros disponíveis para as ações, nem sempre conseguem desenvolver as atividades.

Aos 37 anos da descoberta dos primeiros casos da doença, percebemos que a epidemia do medo do HIV passou, e, lamentavelmente, uma parte da população, não percebe o risco que está exposta ao não usar o preservativo masculino ou feminino nas relações sexuais.

A mudança de atitude é fundamental

A mudança de atitude é a única forma de enfrentarmos a epidemia do HIV. Começando pelos gestores estaduais, municipais, empresários e políticos, que podem ajudar, não criando obstáculos nas políticas de prevenção, vigilância, diagnóstico e assistência às pessoas vivendo com HIV/AIDS.

A população também precisa mudar de atitudes. Agora existe no Brasil a prevenção combinada, que associa a camisinha ao uso de medicamentos antirretrovirais para a prevenção. Existe a PEP – Profilaxia Pós Exposição ao HIV e agora está chegando a PrEP – Profilaxia Pré Exposição.

As novas tecnologias para a prevenção estão sendo implantadas e implementadas, com o objetivo de redução dos riscos de infecção pelo HIV, mas, por outro lado, algumas populações chaves e prioritárias continuam optando por não usar o preservativo, aumentando o risco. Ter relação sexual sem camisinha é uma escolha de cada um, mas temos que dizer que hoje é uma “escolha perigosa”.

Almir Santana é médico sanitarista da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe