12/06/2018 as 09:25

EDITORIAL: Um País de endividados

O presidente da CNDL, José Cesar da Costa, avalia que apesar de a recessão ter chegado ao seu fim a inadimplência do consumidor continua elevada.


No último mês de maio, o número de consumidores com contas em atraso no Brasil voltou a crescer, mas ocorreu um processo de desaceleração em relação aos meses anteriores. Dados apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que a quantidade de inadimplentes sofreu uma elevação de 2,78% no mês de maio na comparação com igual mês do ano passado. A taxa é menor do que se comparada aos meses de março e abril de 2018, quando houve uma alta de 3,13% e 3,54%, respectivamente. Em números absolutos, estima-se que aproximadamente 63,29 milhões de brasileiros estejam com o CPF restrito para fazer compras a prazo ou contratar crédito. É mais um grave sinal da crise que atinge o país.


O presidente da CNDL, José Cesar da Costa, avalia que apesar de a recessão ter chegado ao seu fim a inadimplência do consumidor continua elevada, pois a recuperação econômica segue lenta e não se refletiu em melhora inequívoca no dia a dia dos consumidores. Para ele, por mais que o país tenha superado a recessão, o mercado de trabalho continua desaquecido, os juros cobrados do consumidor ainda não caíram no mesmo ritmo da Selic e a perda de renda real dos últimos anos ainda não foi recuperada. Com a retomada do ambiente econômico acontecendo de forma gradual, ainda demorará para termos um aumento expressivo do número de empregos e renda, fatores que impactam de forma positiva tanto no pagamento de pendências quanto na propensão ao consumo das famílias.


O crescimento da inadimplência foi puxado, principalmente, pela região Sudeste, cuja alta observada em maio foi de 8,07%. Nas demais regiões, as altas foram mais modestas como 2,95% no Nordeste; 2,27% no Centro-Oeste; 1,55% no Norte; e 1,08% no Sul. O crescimento maior na região Sudeste é explicado, em parte, pela revogação da chamada “Lei do AR” no Estado de São Paulo, que exigia por parte dos credores uma carta com aviso de recebimento para poder negativar quem atrasa pagamentos.
A estimativa exibe que, além de ter apresentado o maior crescimento da inadimplência em maio, o Sudeste é, em termos absolutos, a região com o maior número de negativados: 26,94 milhões de pessoas estão nessas condições por não terem quitado suas contas, o que representa 41% da população adulta residente na região. Em seguida aparecem o Nordeste, que conta com 17,45 milhões de negativados, ou 43% da população adulta; o Sul, com 8,15 milhões de inadimplentes (36% da população adulta); o Norte, com 5,80 milhões de devedores (48% – o maior percentual entre as regiões); e o Centro-Oeste, com um total de 4,94 milhões de inadimplentes (42% da população).


O indicador também revela que a maior parte dos inadimplentes está concentrada entre os brasileiros com idade de 30 a 39 anos: são 17,9 milhões de consumidores nessa situação. Na sequência, estão os consumidores de 40 a 49 anos, que somam uma população de 14 milhões de inadimplentes; as pessoas de 25 a 29 anos, que juntas formam 7,9 milhões de negativados e os de idade mais avançada, compreendidos na faixa dos 65 a 84 anos de idade, que somam 5,4 milhões de pessoas com contas em atraso. A população mais jovem, que vai de 18 aos 24 anos, forma um contingente de 4,8 milhões de negativados, o que representa 20% dos brasileiros nessa faixa.