13/06/2018 as 10:17

EDITORIAL: Um passo atrás

O Brasil ainda sente os danosos efeitos da paralisação dos caminhoneiros.


O Brasil ainda sente os danosos efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Segundo o Ministério da Fazenda, os dez dias de greve dos caminhoneiros custarão R$ 15 bilhões para a economia, o equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Por causa da paralisação, a previsão oficial de 2,5% de crescimento do PIB para este ano poderá ser revista para baixo. O número só será divulgado no fim de julho e o ministro não informou mais detalhes.


A economia deve crescer apenas 1,94% em 2018. Na verdade, logo após os protestos nas rodovias essa estimativa tem mudado. Cada vez para pior. Essa foi a sexta semana consecutiva de queda nas projeções. Há um mês, a projeção estava em 2,51%. A greve dos caminhoneiros terá impacto sobre a inflação por causa da escassez de alimentos e da alta temporária do preço dos combustíveis.


A previsão das instituições financeiras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 3,65% para 3,82% em 2018. As projeções do Ministério da Fazenda para a inflação também só serão divulgadas no fim de julho. O governo demorou a agir, a negociar, e agora os efeitos começam a ser sentidos nos números. Antes, os efeitos foram sentidos no bolso do brasileiro, nas prateleiras vazias.


A população já sente no bolso o impacto da greve dos caminhoneiros. Alguns produtos já chegam à mesa do consumidor com um preço mais elevado, como é o caso do frango, carne suína, ovos e leite. No último levantamento de preços semanal, o valor do frango subiu 12%, do leite 8,13%, a salsicha 7,41%, os ovos 6,62% e a linguiça 5,29%. Antes da greve, o preço do frango estava em queda.

Em maio, a ração não chegou até os criadores de animais e muitos não chegaram aos frigoríficos para o abate. Cerca de 30 milhões de aves morreram nesse período. Frigoríficos foram obrigados a parar a produção, o que diminuiu a oferta de produtos no mercado. A alta dos preços é repassada de imediato ao consumidor, mas a queda costuma vir a longo prazo. No caso das carnes, os preços não devem voltar ao patamar de maio.

A paralisação, que causou um rombo bilionário nas contas do governo e um revés na economia, não teve a aprovação dos brasileiros. Segundo pesquisa do Datafolha, sete de cada dez brasileiros avaliam que a greve dos caminhoneiros trouxe mais prejuízos do que benefícios ao país e dizem que o governo deve controlar o preço dos combustíveis e do gás de cozinha mesmo que isso resulte em prejuízo à Petrobras. Revela ainda que 68% da população é contrária à atual política de reajuste de combustíveis adotada pela estatal, que atrela os valores à variação internacional do barril de petróleo e à cotação do dólar.
O protesto dos caminhoneiros foi, sem dúvida, um passo atrás.