28/06/2018 as 09:28

EDITORIAL: Brincando com fogo!

Junho está indo embora e além dos festejos juninos o mês está sendo lembrado também pelo valor nas contas de energia elétrica.


Junho está indo embora e além dos festejos juninos o mês está sendo lembrado também pelo valor nas contas de energia elétrica. O consumidor pagou mais caro porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou para este mês a aplicação da “bandeira vermelha”, patamar 2, com custo de R$ 5,00 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.


Apesar das chuvas em alguns Estados, os reservatórios do sul apresentaram redução de volume. A previsão de chuvas é baixa quando comparada à média histórica. Para quem ainda não sabe o que é a malfadada bandeira tarifária vermelha, ela é aplicada quando o sistema elétrico está com problemas e, como sempre acontece neste país, o consumidor paga a conta.

O país precisa diversificar sua matriz energética, investir mais em energia eólica e energia solar. Uma boa notícia é que o meio rural atingiu 15,8 megawatts de utilização operacional de energia solar. Essa marca atual significa que este tipo de fonte cresceu nove vezes em 2017 e neste ano já dobrou o uso dessa tecnologia no campo.

Pelo menos no campo esse tipo de energia começa a ganhar adeptos, apesar da falta de incentivo do governo.
O meio rural tem açudes usando energia solar fotovoltaica flutuante em Goiás. Tem projetos mais tradicionais de bombeamento e irrigação em Minas Gerais. Tem indústria de sorvete no Ceará também usando essa fonte de geração de energia, que além do custo mais baixo é energia mais limpa.

Outro tipo de energia que precisa receber mais investimentos e incentivos é a geração de energia eólica, que em maio atingiu 6.475 megawatts médios ou 70% da carga de energia elétrica deste subsistema no Nordeste. O último recorde de geração média diária tinha ocorrido no dia 14 de setembro de 2017, quando foram produzidos 6.413 MW médios.


A geração eólica já corresponde a mais de 10% da geração de energia elétrica no Brasil – no último domingo, 24, registrou 12,29% do total de carga enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) – e tem melhor performance no período de seca, quando as hidrelétricas estão gerando menos do que no período chuvoso (novembro a abril).


O Brasil precisa sair da dependência da geração de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas. Deve ainda acelerar medidas de racionalização do uso de eletricidade, ampliando o controle. Precisa proibir, por exemplo, a comercialização de geladeiras com alto consumo de energia, como fazem muitos países.

É preciso baratear o custo de instalação de energia solar em residências e promover investimentos mais vultosos em projetos de energia eólica. Sem medidas deste porte, vamos permanecer sempre torcendo para que as chuvas caiam do céu e encham reservatórios.