29/06/2018 as 10:18

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EDITORIAL: Negros no mercado de trabalho


É conhecida de todos a dificuldade que o jovem brasileiro tem em entrar no mercado de trabalho. E neste período nebuloso, de crise, a hipótese é ainda mais difícil. E para o jovem negro esse cenário é ainda mais complicado. Por isso é preciso louvar a medida adotada pelo Governo Federal, que anunciou um decreto que prevê que os estudantes negros terão reservadas 30% das vagas em processos de seleção de estágio e na contratação de jovens aprendizes no serviço público.

Essa decisão busca fortalecer a inserção dos jovens negros no mercado de trabalho. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, a proposta é aplicar a mudança na administração pública, autarquias, fundações públicas e sociedades de economia mista controladas pela União. Dirigentes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Petrobras e do Banco do Nordeste assinaram termo de compromisso da reserva de vagas.

O decreto tem fundamental importância para a inclusão social ao dar mais oportunidades para segmento da população que enfrenta conhecido histórico de exclusão, que é vítima das mais diferentes formas. A decisão é um incentivo para jovens negros iniciarem a vida profissional e contribui também para a redução da desigualdade racial.

Essa ação, que também é afirmativa, representa muito mais que uma oportunidade de primeiro emprego, representa a construção de uma democracia com justiça social. A cota de 30% estabelecida pelo decreto é superior à reserva de 20% das vagas em concursos públicos federais para negros: é muito difícil o início da vida profissional, principalmente para os negros.

De acordo com o decreto, poderão concorrer às vagas reservadas candidatos negros que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição para seleção de estágio, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O decreto pode possibilitar a criação de cerca de 40 mil vagas para jovens negros em estágios e programas de aprendizagem no setor público federal. Eles terão a oportunidade de ingressar no primeiro emprego, ter um rendimento mínimo que permita que ele mantenha seus custos diários e possa permanecer na escola, além de fazer treinamentos indispensáveis para dar os saltos posteriores.

A reserva de 30% das vagas em processos de seleção de estágio e na contratação de jovens aprendizes no serviço público atende a reivindicações do movimento negro nas áreas de educação, saúde e trabalho rumo à superação das desigualdades étnico-raciais, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos.

O ideal é que os nossos jovens negros não necessitassem de um decreto para ter acesso ao mercado de trabalho. Mas a realidade do mercado de trabalho pede uma decisão dessa natureza.