02/07/2018 as 07:44

Editorial

Menos reajustes, mais transparência

O Brasil ainda paga caro pelos protestos dos caminhoneiros.


O Brasil ainda paga caro pelos protestos dos caminhoneiros e, passada a fase crítica, pouca coisa mudou. Os caminhões que abastecem supermercados, postos de gasolina, açougues, padarias e feiras livres ficaram estacionados nas rodovias para protestar contra a política de reajustes dos combustíveis adotada pela Petrobras. O valor da gasolina e do óleo diesel é indecente, quase um caso de polícia!


O pior é que os reajustes não param. De um ano para cá, as cotações da gasolina nas refinarias da Petrobras, sem impostos, avançaram 40,8%, para R$ 1,9486 por litro, enquanto as do diesel acumularam alta de 29%, a R$ 2,0316. A disparada do diesel, que esteve no cerne dos protestos de caminhoneiros, acabou por colocar em xeque a diretriz da empresa e levar à renúncia de Parente. A reguladora ANP abriu uma consulta pública que poderá determinar a periodicidade dos reajustes no país.


A política de reajustes diários de combustíveis da Petrobras completa um ano neste fim de semana, após ser pivô de uma greve histórica de caminhoneiros, mas ainda assim encontra apoio entre representantes do setor, que veem a liberdade de preços como primordial para a atração de investimentos ao refino de petróleo.


Anunciada pelo ex-presidente da Petrobras Pedro Parente em 30 de junho do ano passado, essa diretriz visava dar à petroleira maior flexibilidade e competitividade em busca de lucro e participação de mercado, com os reajustes seguindo a paridade internacional e o câmbio, dentre outros fatores. Essa política que o mercado adora, mas que faz sangrar o bolso de caminhoneiros e proprietários de veículos, é inaceitável.


Em maio se registrou recordes de preço nas refinarias, com a gasolina atingindo R$ 2,0867 por litro e o diesel R$ 2,3716. Atualmente, valores do diesel estão congelados como parte de um programa de subvenção do governo seguido pela Petrobras. Mas a gasolina ainda permanece sendo reajustada (às vezes para menos).


A Petrobras, que muda o preço dos combustíveis levando em conta as referências internacionais do petróleo, precisa observar o quanto esse custo prejudica o país. As passagens de ônibus, cada vez mais com preços abusivos, levam em conta o valor do diesel.


A Petrobras, que registrou nos primeiros três meses do ano o maior lucro trimestral desde 2013, em meio a preços mais altos do petróleo, reforça que os reajustes acumulados são resultantes das variações do petróleo e da taxa de câmbio.
A estatal revela que uma avaliação deve considerar o período desde a instituição da política de preços, em outubro de 2016, que registrou até o momento uma alta na refinaria de 13,8% para o diesel e 22,8% para a gasolina.


A consulta pública para discutir a periodicidade de reajustes nos combustíveis é uma alternativa para mudar esse panorama, esse cenário injusto que leva um litro de gasolina custar quase R$ 5,00. O país precisa de uma maior previsibilidade nos reajustes.