04/07/2018 as 10:24

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EDITORIAL: Elas estão voltando

Nos últimos anos, o Brasil viu reemergir doenças que se imaginava definitivamente erradicadas em nosso território.


O alerta foi dado. Em vários pontos do país doenças já erradicadas voltaram a ser motivo de preocupação entre autoridades sanitárias e profissionais de saúde. E a situação não ocorre só no Brasil. Em junho, países do Mercosul fizeram um acordo para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas na região das Américas, incluindo o sarampo, a poliomielite e a rubéola.

Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile se comprometeram a reforçar ações de saúde nas fronteiras e a fornecer assistência aos migrantes numa tentativa de manter baixa a transmissão de casos.

Recentemente, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias em razão do surto de sarampo registrado na capital amazonense. No Amazonas, até 20 de junho, foram confirmados 263 casos de sarampo, enquanto 1.368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Das 1.756 notificações registradas no Estado, 82,1% (1.441) são em Manaus.

Um dos maiores problemas é a baixa cobertura vacinal, que acenderam a “luz vermelha” no país. No Amazonas e em Roraima, com o surto de sarampo, há cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação. No outro extremo do país, o Rio Grande do Sul também confirmou seis casos da doença este ano.

O grupo de doenças pode voltar a circular no Brasil caso a cobertura vacinal, sobretudo entre crianças, não aumente. O alerta é da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), que defende uma taxa de imunização de 95% do público-alvo. A presidente da entidade, Isabella Ballalai, afirma que uma série de fatores compromete o sucesso da imunização no país, incluindo a falta de conhecimento sobre doenças consideradas erradicadas. Sarampo, febre amarela, pólio, difteria e tétano têm vacinas, mas as pessoas acabam negligenciando. Não vacinam, atrasam.

Nos últimos anos, o Brasil viu reemergir doenças que se imaginava definitivamente erradicadas em nosso território, como a febre amarela. Assim como essa moléstia, outras como a dengue, a malária revela um crescimento no número de casos que preocupa o governo e a comunidade científica do país.

A dificuldade de imunização no país é multifatorial – depende do tipo de vacina, da faixa etária em questão. Entre 20% a 30% dos adolescentes, por exemplo, vacinaram-se contra a meningite. Um número muito baixo. O que se percebe é que, quando o povo tem medo da doença, procura a vacina.

Brasileiro não tem medo da vacina, tem medo da doença e só procura a vacina quando tem surto na televisão. Um exemplo foi a epidemia de gripe em 2016. O assunto é preocupante, é preciso que se crie mais fóruns de discussões, que se faça mais investimento em vacinas e conscientização da população.