10/07/2018 as 08:54

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EDITORIAL: Com medo de virar estatística

Índice de satisfação com a vida caiu para 64,8 pontos, o menor nível desde junho de 2016.


Quando se fala de desemprego no Brasil, as notícias são sempre ruins. A taxa de desemprego está calculada em 12,7% pelo IBGE, ante 12,6% em fevereiro. Média é do último trimestre encerrado em maio. No mesmo período, no ano passado, a taxa era de 13,3%. O pior é que o desemprego está empurrando muita gente pra informalidade. São 13,235 milhões de desempregados no país.


De fevereiro a maio, 90 mil pessoas deixaram de fazer parte da força de trabalho, enquanto o mercado fechou 204 mil vagas, fazendo o número de desempregados crescer em 115 mil, com certa estabilidade. A força de trabalho (104,112 milhões) equivale ao total de ocupados (90,887 milhões) e de desempregados (13,235 milhões).


Em 12 meses, o emprego com carteira no setor privado caiu 1,5%: menos 483 mil. Já o emprego sem carteira cresceu 5,7%, com acréscimo de 597 mil, além de mais 568 mil (2,5%) por conta própria e mais 229 mil (5,6%) de empregadores, o que pode indicar aumento do empreendedorismo. Também cresceu o emprego no setor público, enquanto o trabalho doméstico ficou estável.


E quem está no mercado de trabalho está com medo de virar estatística negativa. O Índice do Medo do Desemprego, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), subiu para 67,9 pontos em junho, um dos mais elevados da série histórica, iniciada em 1996.


Esse temor, que atinge, principalmente, homens e pessoas com menor grau de instrução, fez com que o indicador ficasse 18,3 pontos acima da média histórica, de 49,6 pontos.


O número está 4,2 pontos acima do registrado em março. Apenas em maio de 1999 e em junho de 2016, o indicador chegou a 49,6 pontos. Entre março e junho deste ano, o indicador subiu 5,6 pontos para os homens e 2,8 pontos para as mulheres.


Para os brasileiros que têm até a quarta série do ensino fundamental, o índice subiu 10,4 pontos no período e alcançou 72,4 pontos. Entre os que possuem educação superior, houve uma alta de 0,6 ponto, passando de 59,9 para 60,5 pontos.


O levantamento também mostra desânimo em relação à vida. O índice de satisfação com a vida caiu para 64,8 pontos, o menor nível desde junho de 2016, quando alcançou 64,5 pontos. O indicador varia de zero a cem pontos.


Quanto mais baixo, menor é a satisfação. Isso é reflexo do aumento do desemprego e de outras questões que envolvem a baixa expectativa sobre a melhora da situação financeira das pessoas e até mesmo as incertezas políticas.


Quem está trabalhando atua sob o temor do desemprego, de perder a renda. Do lado de dentro da fábrica vê a fila de desempregados crescer e a prometida melhora da economia virar apenas uma promessa.