11/07/2018 as 09:47

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Responsabilidade social: utopia ou realidade?


Responsabilidade social é uma realidade sem volta. E os empreendedores sociais são exemplos que confirmam essa percepção. São pessoas corajosas e sonhadoras que não se intimidam com as dificuldades. Sentem a necessidade de mudar e se diferenciam por agir em um ambiente em que todos sinalizam para manter o mundo como está. Descobrem soluções, fazem discursos, geram conexões, atraem parceiros, quebram barreiras e não desistem dos seus sonhos para transformar a realidade ao seu redor.

O interessante nesse processo é que os empreendedores sociais atraem seguidores que compartilham o mesmo sonho de melhorar a realidade social. Por isso não nos espantamos quando uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pela Fundação Itaú Social, revela que 28% dos brasileiros declararam já terem participado de ações voluntárias.

Desse grupo, 55% apontaram, como principal fator motivacional para o engajamento, a vontade de ser solidário. Em uma escala global, encontramos o Brasil entre os dez países com maior tempo de voluntariado, segundo o World Giving Index em relatório publicado pela Fundação Cáritas.

Ao mesmo tempo vemos muitas empresas atentas a praticar ações de responsabilidade social. Elas acreditam que gerar lucro em si não é suficiente para sustentar seus negócios no longo prazo. As empresas percebem que o atual modelo de produção está ultrapassado, que é preciso refletir sobre os impactos que seus negócios geram. O mundo mudou, as pessoas mudaram e as organizações precisam mudar, sob o risco de ficarem para trás. 

O desafio para impulsionar as ações de impacto social é aliar empresários com consciência social a empreendedores sociais com instinto socioempresarial. Essa aliança pode construir um cenário inovador. 

As empresas, ao inserirem a responsabilidade social em sua perspectiva de negócio, através de uma administração de vanguarda e gestão estratégica, geram inclusão social. Dessa forma, elas fortalecem a imagem institucional, se consolidam como empresas cidadãs e inspiram outras empresas a adotar essa concepção. 

Por sua vez, os empreendedores sociais reconhecem a importância de evoluírem e adotarem práticas de governança modernas. Estão conscientes que o interesse social deve se fundir a práticas de gestão para produzir os resultados desejados. É fundamental pensar em produtividade, algo possível no terceiro setor, quando se tem equipes competentes, treinadas e bem geridas. 

Portanto, o grande desafio é aproximar esses dois lados, empreendedores sociais e empresários, essa troca fortalecerá o exercício da responsabilidade social em um movimento real e transformador. Um caminho sem retorno dos que acreditam que é possível uma nova postura, consciente e engajada socialmente.

Pedro Werneck/ Cofundador e presidente da OSCIP Instituto da Criança