26/07/2018 as 07:44

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EDITORIAL: Dias piores virão?

Diante das perdas na produção, trabalhadores estão sendo dispensados de suas atividades no campo.


A baixa incidência de chuvas no semiárido induz o sertanejo à preocupação com a possível volta da seca, depois de um ano (2017) de boa produtividade no campo de Sergipe. Já há uma perda de 50% do plantio do milho e o mesmo percentual deverá atingir logo em breve a produção de leite. No ano passado o Estado produziu 850 mil toneladas de milho e previa 800 mil toneladas para 2018, mas há frustração de safra.

O fenômeno da seca é sempre indesejado pelos sertanejos, o povo mais atingido, embora os efeitos já não sejam os mesmos das décadas de 1950 a 1980, quando milhares de famílias de nordestinos se espalhavam pelas capitais da região para mendigar ajudas financeiras e alimentos.

A meta era a sobrevivência. Para alcançá-la, muitos nordestinos deixavam as suas famílias na região e seguiam para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília no afã de conseguir emprego e, com isso, renda para alimentar mulheres e filhos.

Nos dias de hoje, depois da criação de uma série de programas sociais, o efeito da seca tem sido minimizado. O dinheiro dos programas, ainda que pouco, garante alimentos para as famílias e os governos federal, estaduais e municipais abastecem as comunidades com a água. Não bastasse isso, há a solidariedade de ONGs e grupos outros que promovem campanhas de alimentos e água.

Mas o fato concreto hoje é que há uma grande possibilidade de a seca estar de volta e dando sinais de que quer se fazer presente do sertão de Minas Gerais (passando pela Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão) ao sertão do Piauí. Em todo esse espaço territorial, há perdas de safra e poucas chuvas, o que implica também em dificuldades para o abastecimento humano e demais animais.

Em Sergipe, quem perdeu milho e está perdendo a produção de leite já começou a se mobilizar. Na terça-feira passada, a Federação da Agricultura do Estado (Fease) abrigou uma reunião de produtores, técnicos e agentes financeiros (Bancos do Brasil – BB – e do Nordeste – BN) para discutir o tema.

Os produtores expuseram os prejuízos e deixaram claro que vão precisar muito do apoio governamental para a sobrevivência de seus negócios. Mas, na verdade, quem tem sido mais atingido pela seca são os trabalhadores, que diante das perdas na produção estão sendo dispensados de suas atividades no campo. E o pior: todos acreditam que 2018 poderá ser um ano difícil e dias piores virão.