02/08/2018 as 08:56

EDITORIAL: Um novo teto

A medida foi anunciada ontem, 31, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). É uma opção para enfrentar a crise que atinge o mercado imobiliário.


A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) comemorou a elevação, para R$ 1,5 milhão, do teto de valor das unidades que podem ser adquiridas por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A medida foi anunciada ontem, 31, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). É uma opção para enfrentar a crise que atinge o mercado imobiliário.

O gerente de Projetos de Abrainc, Renato Lomonaco, entende que a medida deixa o crédito imobiliário mais direcionado ao setor residencial, que é o que mais gera emprego e desenvolve a economia. Segundo ele, dados do Banco Central apontam um potencial de liberação de R$ 80 bilhões ao longo dos seis próximos anos.
Para ele, isso vai destravar bastante os recursos, principalmente da poupança, que estava com certa dificuldade. Embora gradual, é uma liberação significativa ao longo dos anos, conforme foi explicado para a Agência Brasil.

O novo teto vai beneficiar todas as regiões do país e valerá para o financiamento de imóveis residenciais novos contratados a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Concedidos com recursos do FGTS e da poupança, os financiamentos do SFH cobram juros de até 12% ao ano. Acima de R$ 1,5 milhão, valem as normas do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), com taxas mais altas e definidas livremente pelo mercado.

Segundo o Banco Central, as medidas foram tomadas para estimular a indústria da construção civil. “Esse conjunto de aperfeiçoamentos, ao flexibilizar e simplificar as regras do direcionamento, pretende estimular a entrada de novos operadores e a melhor segmentação de mercado. Espera-se, ainda, uma maior compatibilidade entre a oferta e a demanda de financiamentos, respeitando-se a estrutura e as características de nosso mercado imobiliário, explicou, em nota.

Além de elevar o valor dos imóveis para financiamentos, o CMN flexibilizou a parcela que os bancos são obrigados a aplicar em crédito imobiliário. Até então, os bancos precisavam destinar 65% dos recursos da poupança para o financiamento de imóveis, dos quais 80% (o equivalente a 52% dos depósitos na caderneta) deveriam ser empregados no SFH.

Esse sublimite de 80% deixará de vigorar em janeiro. Dessa forma, os bancos poderão usar os recursos da poupança para financiarem imóveis de qualquer valor, a critério de cada instituição. No entanto, os bancos que concederem crédito para imóveis de até R$ 500 mil terão o valor multiplicado por 1,2 para facilitar o cumprimento da exigência de usarem 65% da poupança no financiamento imobiliário.