29/08/2018 as 08:03

Artigos

EDITORIAL: Faroeste brasileiro

Mas o que se vê é um Brasil sem governo, uma nau sem direção.


Em um país com 200 milhões de habitantes e deste total pouco mais de 13 milhões de desempregados, nada mais natural que elevados percentuais de violência se espalhem por todos os 25 Estados e o Distrito Federal. Será difícil tirar o Brasil dessa onda caótica a que está exposto.


O mais correto neste momento seria buscar formas urgentes de tirar o país da crise, gerar empregos e renda e puxar para fora da marginalidade boa parte dos jovens envolvidos com o crime. Não é fácil, mas é preciso tentar.


Mas o que se vê é um Brasil sem governo, uma nau sem direção. E nessa situação, vamos para uma eleição em que os candidatos expõem e criticam os problemas e não apresentam propostas praticáveis, sem ilusionismo, para combater o desemprego, enfrentar a marginalidade, educar e garantir saúde para os brasileiros.


Todos dizem querer enfrentar o mundo do crime e apresentam mágicas iniciativas. Temos candidatos se dispondo a transformar a segurança pública em questão da alçada do Governo Federal, outros querendo encher os quartéis e ruas de PMs e homens das Forças Armadas.


Mas tem chamado a atenção dos brasileiros um candidato a presidente da República, no caso o Jair Bolsanaro, anunciando que vai liberar a compra de armas para que os próprios cidadãos se defendam. É uma estupidez, está claro. Mas extrema “pataquada” tem motivado muitas discussões.


Bolsanaro não tem solução para nenhum problema brasileiro, não tem equilíbrio para ser deputado federal e muito menos para ser presidente da República. Mas, demonstram as pesquisas, tem sido avaliado pela população como uma opção viável como uma espécie de salvador da pátria.


Outro dia andou anunciando a sua pretensão de romper com a ONU por que circulou informação de que a organização defendeu a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que ele possa entrar em campanha eleitoral.


Ele é exagerado em suas declarações e isso o projeta como a segunda opção, quando a consulta popular inclui o ex-presidente Lula. Sem Lula, ele é o número um. Mas cresce também a candidatura de Ciro Gomes (PDT) e há segmentos apostando em Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), se Lula for realmente descartado do processo eleitoral.