30/08/2018 as 10:26

EDITORIAL: O Brasil melhor depende delas

As mulheres brasileiras são muito agredidas no dia a dia.


Embora 19% das mulheres avaliem que a corrupção é o problema mais grave do Brasil, elas entendem que o presidente que for eleito em outubro próximo deve priorizar a saúde (46%), a educação (19%), o emprego (8%) e a segurança pública (3%). Elas representam hoje 52,5% do eleitorado brasileiro – 77 milhões, de um total de 147,3 milhões de votantes –, portanto, a maioria. Esses dados foram obtidos através de respostas espontâneas, sem a apresentação de nomes de possíveis candidatos, o que deixa claro que as mulheres desconhecem os candidatos que aí estão.
Um estudo realizado pela socióloga Fátima Pacheco Jordão mostra que 80% das mulheres ainda não têm candidato. Por isso, os candidatos devem se dirigir a elas com maior frequência buscando induzi-las a irem votar no dia 7 de outubro. A expressividade do gênero também motivou a escolha de algumas delas para a composição de chapas majoritárias no próximo pleito presidencial. Isso lhes dá um imenso poder de decisão e responsabilidade com o voto e o país.


O estudo deixa claro que, dos 80% daquelas que não têm candidato definido à Presidência da República, 54% estão na condição de indecisas e os outros 26% disseram que estão dispostas a votar em branco ou anular o voto. Mas há uma luz no fim do túnel e ela ficará mais visível a partir do dia 31 deste mês, quando terá início o horário eleitoral gratuito na TV e rádio. Os brasileiros verão quem são os candidatos e o que eles pretendem fazer pelo Brasil.

A consulta estimulada no estudo de Fátima Jordão publicado na revista IstoÉ deixa claro que 25,5 milhões de eleitoras pretendem votar branco ou nulo, 45% delas não têm candidato e 6,1 milhões não decidiram em quem votar.


Os dois casos – as consultas espontânea e estimulada – exibem a necessidade de os candidatos se dirigem a elas e dizer o que elas desejam ouvir. Eles precisam assumir compromissos. Isso as mulheres vão cobrar antes de se definirem.


As mulheres brasileiras são muito agredidas no dia a dia. No lar, pelos seus companheiros, e nas ruas, elas são alvo fácil e frequente de espancamentos e até de atos violentos mortais de marginais. Os candidatos precisam se dirigir a elas com propostas claras para a segurança, geração de emprego e renda, melhores condições de saúde e educação de qualidade. As brasileiras querem um Brasil melhor.