14/09/2018 as 07:40

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EDITORIAL: O misterioso custo da gasolina

A questão tributária tem um reflexo importante no custo da gasolina, representando cerca de 50% do preço.


Vinte e quatro horas após aumentar o preço da gasolina, a Petrobras anunciou um novo reajuste para o combustível: dois centavos! Isso mesmo, a Petrobras elevou em R$ 0,02 o litro da gasolina nas refinarias para as distribuidoras. Agora cabe perguntar: como é possível encontrar, e pior, tornar oficial, uma defasagem de dois centavos?


Ontem, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que o próximo governo terá que pensar em soluções de caráter mais estrutural para a questão do preço do combustível, sendo a discussão sobre o monopólio do refino a mais importante delas. E por que não neste governo? Por que não se repensa os mecanismos utilizados para reajustar a gasolina, que já chegou ao patamar absurdo de R$ 5,00 o litro? Por que temos que esperar pelo próximo governante?


Guardia diz ainda que é importante que tenha competição também em refino, que hoje é monopólio da Petrobras. Segundo ele, a própria Petrobras concorda com esse caminho.


O ministro da Fazenda também apontou que outro tema a ser discutido nesta seara é a instituição de mecanismos que permitam usar a estrutura de impostos como um buffer para a variação do preço internacional do petróleo. Guardia declara que isso existe em vários países.


O brasileiro não suporta mais essa escalada no preço dos combustíveis. É preciso salientar que o mínimo reajuste no combustível tem impacto na inflação e no preço de quase toda a cadeia produtiva. Grande parte dos produtos consumidos no Brasil depende do transporte rodoviário. A questão tributária tem um reflexo importante no custo da gasolina, representando cerca de 50% do preço.


O país viu como é amargo ficar sem combustível e sem alimentos. O protesto colocado em prática pela Associação Brasileira de Caminhoneiros cobrou providências do Governo Federal para diminuir o impacto do aumento do diesel, como a isenção de tributos. Pouco conseguiu. O Governo Federal não tem interesse em solucionar isso.


Se o atual governo – que não deixará saudades – não se interessa em buscar uma solução para a disparada do preço da gasolina, que o próximo presidente o faça, abra diálogo com todos os setores envolvidos. Os preços dos derivados vendidos pela Petrobras crescem de forma intensa e contínua. A cadeia de produção do petróleo é bastante oligopolizada nos segmentos de produção, refino e distribuição e, por isso, a formação dos seus preços não obedece somente à lógica da oferta e da demanda.


A política desastrosa de Temer para o setor de petróleo levou o Brasil a ter a segunda gasolina mais cara entre os maiores produtores de petróleo do mundo, conforme a consultoria Air-Inc. Em 2017, o Brasil foi o maior produtor de petróleo da América Latina, superando o México e a Venezuela. Mesmo assim, o preço da gasolina ao consumidor final bateu recordes de aumento.


Está na hora de corrigir essas distorções.