24/09/2018 as 09:57

Opinião

EDITORIAL: Saneamento como prioridade

O Ministério da Saúde divulgou informações nos últimos dias dando conta de que, ao todo, foram 263,4 mil internações.


A falta de uma política de saneamento básico e de acesso à água de boa qualidade tem provocado muitas internações hospitalares de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o País. Em 2017, os gastos com essas internações atingiram R$ 100 milhões.

O Ministério da Saúde divulgou informações nos últimos dias dando conta de que, ao todo, foram 263,4 mil internações. O número ainda é elevado, mesmo com o decréscimo em relação aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil internações geraram um custo de R$ 129 milhões.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) garante que cada dólar investido em água e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.

Reunidas em São Paulo, recentemente, organizações ligadas ao setor privado de saneamento reforçaram a teoria da economia produzida por esse investimento. Pelas contas do grupo, a universalização do saneamento básico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilhão em gastos na área da saúde. É bastante dinheiro e poderia ser aplicado em educação, por exemplo.


No Encontro Nacional das Águas, os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 municípios do País, apenas 1.600 têm pelo menos uma estação de tratamento de esgoto, e 100 milhões de brasileiros ainda não têm acesso. Isso é vergonhoso.


O Instituto Trata Brasil revelou que apenas 44,92% dos esgotos coletados no País são tratados. O Brasil tem uma meta de universalização do saneamento até 2033. Esse objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico representaria um gasto de cerca de R$ 15 milhões anuais, ao longo de 20 anos. E esse é um dos desafios para os governantes que serão eleitos em outubro.
Mas é preciso que eles assumam esse compromisso com os brasileiros. É preciso cobrar.