25/09/2018 as 07:38

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EDITORIAL: Reforma da Previdência

Presidente Michel Temer disse que vai procurar o presidente eleito do Brasil, em outubro próximo, para propor a retomada da reforma da Previdência.


Ontem, em Nova York (EUA), durante reunião-almoço com empresários promovida pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber of Commerce), o presidente Michel Temer disse que vai procurar o presidente eleito do Brasil, em outubro próximo, para propor a retomada da reforma da Previdência. Temer fica no comando do Executivo até 1º de janeiro, quando o eleito assume o Planalto. Até lá, ele pretende convencer seu sucessor da necessidade de revisão imediata do sistema.


Ele afirmou para o empresariado que tem a certeza de que, ao procurá-lo, ele atentará para o fato de que a medida é indispensável. Isso não é essencial para um governo: é essencial para o Brasil, disse, ao alertar sobre o déficit previdenciário brasileiro. O discurso do presidente foi pautado na exaltação da credibilidade do país diante dos empresários americanos, Temer disse acreditar na continuidade da agenda de reformas coordenada por seu governo. Para atrair investimentos dos EUA no Brasil, Temer afirmou ter confiança na democracia, na solidez de nossa economia, na nossa capacidade de crescer com justiça social.


Considerou ser natural que às vésperas do pleito eleitoral “no calor do embate, no afã de buscar votos, candidatos se permitam jogar com diferentes posições, em discursos vagos e até contraditórios”, mas Temer disse acreditar que, mesmo com divergências, todos os presidenciáveis coincidem na defesa da responsabilidade fiscal, manutenção da rede de proteção social e na garantia da democracia.


Isso só faz fortalecer essa agenda de reformas. Afinal, a nossa é agenda que reflete, justamente, esses consensos. Assim, abstraída a retórica eleitoral, podemos afirmar que não haverá volta atrás nas reformas que temos empreendido, conforme Michel Temer. Mas há candidatos deixando claro, em entrevistas e no horário eleitoral gratuito, que não têm compromisso com a reforma da previdência.


O presidente apresentou um balanço das ações de seu governo. Desde a primeira hora, segundo ele, tem sido preservado o compromisso com a responsabilidade. Os resultados desse esforço aparecem com a inflação novamente sob controle, com o recuo da taxa básica de juros e a retomada do crescimento da economia brasileira.

Os empregos estão voltando – só em agosto, foram criados 110 mil empregos formais.


Logo após o pronunciamento, jornalistas perguntaram se há tempo hábil para votar a reforma da Previdência este ano e o presidente respondeu que acha possível.

Michel Temer tentaria. Avalia que pode ser que seja possível, porque os deputados e senadores não terão aquela preocupação legítima de natureza eleitoral.