28/09/2018 as 09:06

EDITORIAL: Quem paga a conta?

Em Sergipe o quadro é assustador. Em agosto, somente entre os meses de janeiro a julho deste ano foram registradas 4.430 vítimas de acidentes


A violência no trânsito, além de custar a vida de muitas pessoas, tem um custo alto para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os cofres dos governos federal, estaduais e municipais. Segundo a Seguradora Líder, responsável pela administração do Seguro de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Seguro DPVAT), 560.789 vítimas de acidentes foram indenizadas nos últimos dois anos.

E esses números podem ser maiores. Como o prazo prescricional para a solicitação do benefício do Seguro DPVAT é de até três anos, os dados podem sofrer alterações conforme as ocorrências são notificadas por vítimas e beneficiários.

Em Sergipe o quadro é assustador. Em agosto, somente entre os meses de janeiro a julho deste ano foram registradas 4.430 vítimas de acidentes no trânsito no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Foram 471 vítimas de acidentes automobilísticos, 3.558 vítimas de acidentes motociclísticos e 401 vítimas de atropelamento.

Segundo dados da Líder, os números do país mostram que houve uma redução de 22% nas ocorrências entre 2016 e 2017. No ano passado, foram 245.371 acidentes indenizados no país, contra 315.398 no ano anterior. A redução, no entanto, não significa uma tendência de queda nas ocorrências. 

Os casos de invalidez permanente representaram a maioria das indenizações tanto em 2017 (68%) quanto em 2016 (73%). O reembolso de despesas médicas representa um percentual de 20% no ano passado e 16% no ano anterior. Quanto às indenizações por morte, foram 12% em 2017 e 11% em 2016.


No ano passado, a maior incidência de acidentes foi com vítimas do sexo masculino (76%), mantendo o mesmo comportamento dos anos anteriores. A faixa etária mais atingida no período foi de 18 a 34 anos, representando 49% do total das indenizações pagas, o que corresponde a quase 119 mil indenizações.


O número de mortes, segundo as estatísticas dos acidentes indenizados, caiu 13% entre 2016 e 2017. Foram 29.500 mortes no ano passado, contra 33.833 no ano anterior. 

Entre as mortes e vítimas com sequelas permanentes, a maioria (70%) era condutor de veículos, principalmente motociclistas.
O número de inválidos por causa de acidentes no trânsito é um problema de saúde pública e precisa ser tratado com mais atenção.