01/10/2018 as 08:22

EDITORIAL:E o emprego? Onde entra?

Temas como segurança, ideologia de gênero nas escolas e até mesmo o destino do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet estão sendo debatidos por alguns presidenciáveis.


Temas como segurança, ideologia de gênero nas escolas e até mesmo o destino do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet estão sendo debatidos por alguns presidenciáveis como propostas de governo, mas se vê pouco avanço na discussão em torno de um ponto crucial, o emprego. Como gerar empregos? Quantos empregos podem ser criados nos próximos quatro anos?

O Brasil voltou a crescer em 2017, registrando um saldo de 221 mil novos postos de trabalho em diferentes atividades do setor público e privado. Mas é preciso lembrar que esse saldo vem depois de grandes quedas consecutivas e de um desemprego recorde.

Com o aumento de 0,48%, em comparação com o ano anterior, o estoque de vínculos trabalhistas fechou o ano passado em cerca de 46,3 milhões de empregos. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). O saldo positivo na evolução dos empregos formais reverte tendência de queda, mas não recupera o nível do mercado de trabalho apresentado em anos anteriores.

Foram dois anos de quedas expressivas. Em 2015 e 2016, o País perdeu 1,5 milhão e 2 milhões de empregos formais, respectivamente. Comparado à série histórica, o estoque de vagas de trabalho no ano passado se mantém inferior ao de períodos anteriores, como 2013 (48,9 milhões), 2014 (49,5 milhões) e 2015 (48 milhões).

Os candidatos precisam discutir propostas para criar empregos e resolver o drama de milhões que estão fora do mercado de trabalho. A crise econômica em 2014, 2015 e 2016 levou a indústria brasileira ao menor número de empregados desde 2007. No fim de 2016, o setor empregava 7,7 milhões de pessoas – 1,3 milhão a menos do que o pico atingido em 2013, quando mais de 9 milhões de pessoas trabalhavam nas indústrias do País.
Os resultados mostram uma queda substancial no emprego em 2016. A retração anual foi a terceira consecutiva no número de vagas e teve uma intensidade menor do que a de 2015. Depois do pico atingido em 2013, o Brasil perdeu 2,55% das vagas em 2014, em relação a 2013; 7,46% em 2015/2014; e 4,92% em 2016/2015. Se comparado a 2013, 2016 soma uma queda de 14,3%.

Em números absolutos, a atividade industrial que mais fechou vagas foi a fabricação de produtos minerais não metálicos. A perda de 56,5 mil vagas foi influenciada pela queda da demanda do setor de construção civil, também relacionada à crise econômica.
Temos muito o que melhorar nessa área. Sem empregos, essa crise não cessa.