09/10/2018 as 07:40

Artigos

O voto evangélico


Houve um assanhamento sobre a possibilidade de uma migração massiva do voto dos evangélicos em Bolsonaro, pelo suposto apoio de caciques de igrejas no início desta semana pela mídia.


Reforçada por uma campanha de fake news utilizando-se, em caixa alta, a perversão, o preconceito e a mentira. Alguns exemplos: mamadeiras em formato de pênis, definição de sexo em registro após uma certa idade, além de confisco humano pelo Estado, turbinadas aos ventos nas redes sociais, atitude que na verdade disfarça os verdadeiros desejos que possui ou a intenção, falando da perversão.


Mas se esquecem de um detalhe, não será pela moral, o subjetivo, que uma significativa parte da base evangélica destinará o seu voto a #EleNão. O discurso moral influencia a religião, claro, mas não na proporção estatística que é alardeada.


Digo isso porque a parcela significativa dos membros das chamadas igrejas evangélicas e de massa são mulheres de periferia, mães e trabalhadoras que, até bem pouco tempo, a única boa nova do evangelho que ouviam era a palavra: submissão.


Mas não é mais assim. Muitas delas foram empoderadas pelos programas sociais, administram recursos, educaram filhos e filhas, compraram casas, viajaram de férias, adquiriam direitos trabalhistas etc. O voto será, em parte, destinado a essa memória objetiva, principalmente, com o retrocesso, ou seja, a perda dos direitos e a ameaça de voltar ao mundo da total dependência.


Apesar do apóstolo, bispo, pastor, missionário, tentar convencer ao contrário, esquece de quem sabe dos problemas, guarda os segredos dos filhos (as), administra os conflitos, os recursos, preocupa-se com o futuro da família, na maioria das vezes, não são eles, são elas.


Imagino que, na hora da desobediência silenciosa dessas mulheres, a oração íntima será, segundo a bíblia: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At. 5:29). Isso não é para gerar conforto nem comodidade.


É o voto a ser consolidado, com clareza, discernimento, diálogo e consciência nesta reta final da campanha eleitoral.

Luis Sabanay/teólogo e pastor presbiterano