09/11/2018 as 08:40

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EDITORIAL: As privatizações como prioridades

Parece haver pressa no futuro governo em colocar na mesa as discussões e encaminhar iniciativas para a concretização.


A equipe econômica de transição se dedicou ontem a discutir privatizações e ajuste fiscal. São dois temas que vão gerar muitas polêmicas. O economista Paulo Guedes, confirmado para o superministério da Economia (que englobará Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio), convocou duas reuniões com o grupo.


Parece haver pressa no futuro governo em colocar na mesa as discussões e encaminhar iniciativas para a concretização. Anteontem, durante reunião com o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), Guedes mencionou o chamado pacto federativo sustentado pelo programa de desestatização, que inclui projetos de concessão, parceria público-privada e privatização. Não foram citados nomes de empresas nem de companhias.


O assunto deverá ser tema de reunião com os governadores eleitos e reeleitos no próximo dia 14, em Brasília, com o presidente eleito Jair Bolsonaro e sua equipe. O objetivo de Guedes é acelerar os processos de privatização. O apoio dos governadores é importante, pois aproxima do Governo Federal as bancadas dos Estados. Mas haverá reações dos opositores de Bolsonaro.


Há dois dias, Guedes afirmou que “está fora de questão” renegociar a dívida brasileira e que a futura equipe vai trabalhar para fazer reformas e vender ativos para reduzir o endividamento do país. Segundo ele, não é razoável o país gastar bilhões anuais para pagar os juros da dívida.


Paulo Guedes entende que há urgência na necessidade de liberar recursos e promover não só o ajuste fiscal, mas também contribuir em setores que se queixam da ausência de recursos.


Para o futuro governo, tudo carece de urgência. Isso pode ser bom. Mas é sempre recomendável trabalhar passo a passo, também com cautela.


Mas virão por aí muitos acalorados debates sobre a flexibilização de posse de armas, redução da maioridade penal, revisão da política de cotas, tratar invasão de terra como terrorismo, adoção do programa escola sem partido e acabar com a “saidinha” de presos.