30/04/2019 as 07:58

ARTIGOS

EDITORIAL: A história ameaçada

Somos referência nacional nesta área e precisamos rever conceitos, cuidar melhor de nossa memória


O Brasil viu, estarrecido, as chamas devastarem o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado. O fogo começou com a sobrecarga em um dos aparelhos de ar-condicionado. Este ano, a lendária catedral de Notre Dame, em Paris, foi atingida por um incêndio. O prédio recebia verbas insuficientes para sua manutenção, como aconteceu com o Museu Nacional.

Os dois exemplos servem para Sergipe, que ocupa posição de destaque no roteiro nacional que trata do patrimônio histórico. Além das relíquias que Aracaju possui, o Estado conta com um acervo valioso no interior, em cidades como São Cristóvão, Maruim, Laranjeiras, Neópolis, Santo Amaro das Brotas e Estância. Duas cidades sergipanas são tombadas pelo patrimônio histórico nacional e têm importância estratégica no turismo. Apesar de possuir um acervo histórico tão vasto e rico, não há verbas suficientes para a preservação.


Sergipe possui prédios que datam mais de 400 anos e não oferece recursos não só para a preservação do patrimônio histórico, mas também para a restauração. Pouco tem sido feito para preservar a riqueza do nosso patrimônio. O processo de degradação dos prédios antigos é comum em todos os locais e precisa de medidas para ser controlado.


Alguns prédios estão em bom estado de conservação, mas há muitos ameaçados pelo abandono e pela falta de recursos. São 18 igrejas tombadas pelo patrimônio histórico nacional e 72 prédios tombados e cuidados pelo Estado. Só em Aracaju são 26.
Cuidar do patrimônio histórico não é apenas um dever de quem respeita a história e a cultura. É também uma obrigação, prevista em lei.


O poder público precisa destinar mais investimentos para restauração e conservação de prédios históricos sob pena de perder sua identidade, de ver em ruínas a sua história. A preservação cultural em Sergipe precisa ter mais espaço na agenda do governo e ser uma preocupação constante.


Somos referência nacional nesta área e precisamos rever conceitos, cuidar melhor de nossa memória.