25/07/2019 as 08:03

ARTIGOS

EDITORIAL: Sem ciência, não avançamos

O congresso da SBPC precisa mostrar ao governo que cortar recursos para a pesquisa é um equívoco.


Em meio ao corte de verbas para a ciência, o corte de bolsas de estudos, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza a 71ª reunião anual, considerado o principal evento de pesquisa acadêmica do país, que reúne professores e cientistas das mais diversas regiões. O congresso acontece num momento conturbado.


O encontro recebe conferências sobre variados assuntos, como impactos da privação do sono, métodos de análise da biodiversidade brasileira, doenças infecciosas em megacidades, cooperativismo no país, uso da robótica como recurso pedagógica em salas de aula e impactos do envelhecimento na assistência à saúde.


Serão realizados minicursos e estandes apresentam as produções de institutos de pesquisa vinculados ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).


O encontro conta com um conjunto de atividades voltadas especificamente às populações e temáticas afro-brasileiras e indígenas. Entre os temas das conferências e palestras estão a preservação das línguas indígenas, os impactos das ações afirmativas na academia e na produção científica, a atuação de intelectuais negras, entre outros.


Uma parte importante das atividades do encontro é voltada a temas relacionados à área de ciência e tecnologia, das formas de produção de conhecimento nas universidades às maneiras de diálogo com a sociedade. Entre as mesas-redondas estão impactos sociais de ciência e tecnologia, perspectiva da pesquisa na pós-graduação e instrumentos de financiamento do setor.


Num momento de crise, o encontro pretende mostrar para os congressistas que é importante voltar a ter uma relação de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 2%, quando hoje estamos perto de 1%. O evento acontece num quadro que é caracterizado como um “momento difícil, de crise, da ciência brasileira”. Vivemos cortes acentuados no orçamento.


O congresso da SBPC precisa mostrar ao governo que cortar recursos para a pesquisa é um equívoco. A ciência brasileira que vivia um momento de pujança hoje está com o pires na mão. O gasto interno bruto em pesquisa e desenvolvimento chegou a ser maior do que o da Itália e Espanha. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações perdeu 42% de seu orçamento. São 710 cientistas por cada milhão de habitantes no Brasil, contra 7.600 no grupo de 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


O cenário é complicado, quando deveria ser o contrário. Os cientistas assistem ao empobrecimento e sucateamento das instituições, o esvaziamento do quadro qualificado, perda de pesquisadores sênior, desmotivação e insegurança de jovens pesquisadores. Um quadro desolador que precisa ser reparado. Sem ciência, sem pesquisa, não cresceremos.