02/08/2019 as 09:53

ARTIGOS

EDITORIAL: Indústria estagnada

Pesquisa confirma o fraco desempenho da atividade industrial no país.


Um levantamento divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o primeiro semestre deste ano registrou estagnação na indústria brasileira. A pesquisa confirma o fraco desempenho da atividade industrial no país. Isso vem sendo observado desde janeiro e fica bem visível com o elevado desemprego e a baixa produtividade.


Conforme o relatório, o faturamento do setor teve queda de 1% na comparação com o mesmo semestre de 2018, as horas trabalhadas na produção ficaram estáveis, o emprego teve leve queda de 0,1%, a massa real de salários recuou 1,9% e o rendimento médio real do trabalhador diminuiu 1,8% na comparação com o primeiro semestre de 2018. “A utilização média da capacidade instalada no primeiro semestre é 0,1 ponto percentual inferior ao mesmo período de 2018”, disse a CNI.


Os dados de junho mostram que de todos os indicadores industriais apenas o faturamento registrou um índice positivo, os demais índices recuaram.

De acordo com a CNI, depois da queda de 2,2% registrada em maio o faturamento da indústria aumentou 0,3% em junho frente a maio na série livre de influências sazonais. A utilização da capacidade instalada caiu 0,7% frente a maio.


Já a massa real de salários diminuiu 0,7%, mesmo recuo apresentado pelo indicador de rendimento médio dos trabalhadores, que também recuou 0,7% em junho na relação com maio, na série dessazonalizada. Com a queda de junho, a massa real de salários reverteu o crescimento verificado nos dois meses anteriores e é 0,8% menor do que a de junho do ano passado.


As horas trabalhadas na produção tiveram uma leve queda de 0,1% em junho frente a maio na série dessazonalizada. O levantamento mostra ainda que o emprego ficou estável em junho. Os dados mostram que nos últimos 12 meses o indicador do emprego teve sete meses de estabilidade, quatro meses de queda e apenas um de crescimento.


A indústria encerra o semestre sem avanços em termos de atividade e emprego. Fica evidente que, além das medidas estruturantes, de longo prazo, necessárias para um novo ciclo de crescimento, também são urgentes e críticas medidas de curto prazo para estimular a economia. A redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic foi um fundamental primeiro passo nesse sentido. Há espaço para novas quedas. Adicionalmente, medidas que facilitem e reduzam o custo do financiamento também seriam muito importantes, disse o economista da CNI Marcelo Azevedo.


Na verdade, o Brasil vai precisar de muito esforço dos empresários, trabalhadores e governantes para superar este momento difícil.