12/08/2019 as 10:46

ARTIGOS

EDITORIAL: Pregando ao vento

Essa taxa estava na mínima histórica de 6,5% ao ano desde março do ano passado. Juros extorsivos!


Por que os juros bancários não baixam, apesar da taxa Selic atingir padrões de países ricos e desenvolvidos? Por que é tão difícil reduzir o custo do crédito, dos cartões, do cheque especial? O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que é preciso fazer com que os juros baixos cheguem na ponta, ao consumidor final.


Estudo do BC apresentado revela que, quanto maior a renda do tomador de crédito, menor seu comprometimento de renda com o cheque especial. Entre os que ganham até dois salários mínimos, o comprometimento é de 2,75%. Esse percentual sobe para 21,1%, quando se consideram os 10% mais endividados. Os juros atingem mais quem ganha menos.


A inadimplência, aponta o BC, é o principal fator para que o crédito ainda seja caro no Brasil. Isso ocorre porque faltam informações sobre o tomador de crédito, o que eleva a taxa, e há demora na recuperação do crédito quando há inadimplência, na comparação com outros países.


O Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) ao patamar de 6% ao ano, uma iniciativa que mostra maturidade, e aposta no mercado, mas além de reduzir seus gastos, o governo precisa dar mais sinais ao mercado e cobrar a redução dos juros. Um dos argumentos a ser usado nessa empreitada é a aprovação da reforma da Previdência, que em tese ajudaria na redução gradual da taxa de juros estrutural da economia. Se as contas públicas forem bem geridas, o mercado responde positivamente.


O governo não deve e não pode se intrometer na autonomia do mercado financeiro, que não pode ser movido a regras oficiais, mas é preciso entender que são totalmente abusivas as taxas cobradas pelos bancos e pelo comércio. As taxas de juros médias cobradas pelas instituições financeiras no cartão de crédito rotativo e no cheque especial subiram e ultrapassaram a barreira dos 300% ao ano.


O juro médio do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas subiu de 299,8% ao ano, em maio, para 300,1% ao ano, em junho deste ano. No primeiro semestre, o crescimento foi de 14,7 pontos percentuais, pois a taxa estava em 285,4% ao ano no fim de 2018. Já a taxa média do cheque especial, de acordo com a instituição, avançou de 320,9% em maio para 322,2% em junho de 2019.


Esses números são abusivos, insuportáveis. O aumento dos juros bancários em junho, e no primeiro semestre, acontece em um ambiente de estabilidade da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para controlar a inflação. Essa taxa estava na mínima histórica de 6,5% ao ano desde março do ano passado. Juros extorsivos!