30/08/2019 as 11:54

ARTIGOS

O Livro

Por Matheus Batalha Moreira Nery/doutor em Psicologia pela UFBA e Professor da UNINASSAU.


As crônicas que escrevo nesta coluna representam um pedaço da minha história de vida pessoal e profissional. Todas remontam a conceitos e elementos que são fundamentais para o entendimento de como podemos avançar o debate sobre Educação em nosso país. Quando comecei a escrever semanalmente para o Jornal da Cidade, eu sabia que as histórias, que eu já partilhava informalmente com meus amigos, poderiam encontrar um novo público e, com sorte, elas os ajudariam a compreender os dilemas que nós, educadores, passamos em nosso fazer diário.

Tomei o compromisso de escrever semanalmente como um desafio. Para tanto,  adotei um estilo de escrita centrado em casos e histórias de vida, buscando sempre trazer para o leitor um elemento central, um conflito, que ainda precisa ser superado na Educação em nosso país. Aprendi esta metodologia nos Estados Unidos. Por lá, via os professores usarem sempre em suas aulas os “case studies”, que versam, essencialmente, sobre história de vida. Aprendi que as histórias de vida inspiram os alunos a buscarem por mais conhecimento, e passei a adotar esta estratégia em minhas aulas e em meus escritos, tendo sempre a teoria e os dados como suporte. Tracei como desafio trazer à tona o que aprendi com diversas pessoas mundo afora. Sempre tive um olhar atento para como as pessoas inovam em soluções para os problemas que as afligem na vida em sociedade.  Compartilhar essas experiências se tornou, semana após semana, uma missão para mim. Percebi, ao conversar com alguns amigos e leitores, que elas os provocavam. Passei a adotar como estratégia a noção de que os artigos publicados nesta coluna deveriam sempre provocar a mente e mexer com os corações que, muitas vezes, estão endurecidos por lidar com uma realidade tão difícil como a nossa. Qualquer mudança advinda da leitura das minhas ideias seria um enorme proveito.

Colocar em palavras escritas partes significativas da minha história me ajudou a perceber o quanto já caminhei e o quanto tudo que vivi, até aqui, precisava ser posto em perspectiva. Busquei privilegiar como algumas boas práticas que aprendi podem ajudar o nosso país a superar os inúmeros desafios que possuímos na área educacional. Trata-se de fazer uma análise crítica do que é adotado pelas melhores escolas e universidades mundo afora e, enquanto política, por outros países, compreendendo que, nem sempre as soluções podem ser adotadas de imediato e que há muitas diferenças culturais que precisam ser respeitadas. Com exceção das viagens que fiz ao exterior recentemente e que busquei relatar o que vi e vivi de imediato ao leitor no Jornal da Cidade, os demais artigos não seguiram uma programação pré-estabelecida. Em alguns artigos conto as minhas experiências com meu pai e minha mãe, e como os meus antepassados contribuíram para que eu tivesse uma educação humanística. Em outros, escrevi sobre amigos que me tocaram profundamente, pessoas com quem aprendi muito em horas de enorme dificuldade. Suas histórias também emergiram aleatoriamente em minha memória enquanto casos que precisavam ser contados. Em apenas um artigo discuti, antecipadamente, a temática que seria objeto de minha escrita. Trata-se do artigo que escrevi especialmente para a Academia Sergipana de Letras, que foi publicado na íntegra pelo Jornal da Cidade. Busquei privilegiar em todos os artigos a força de suas histórias de vida. Usei-as como veículo de inspiração para que outras pessoas pudessem buscar em suas existências feitos semelhantes ou de igual valor.

As 50 crônicas que escrevi para o Jornal da Cidade entre 2018 e 2019 se tornaram um livro. Este livro é o fruto de uma vida dedicada à Educação. A publicação foi cuidadosamente editada pela SEGRASE/EDISE, e a recebi, das mão de seu presidente, Ricardo Roriz, na última segunda-feira. Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida. Pessoalmente, eu tenho muito a agradecer a cada uma das histórias de vida que contei em minha coluna até aqui, pois elas me levaram a enxergar o mundo em uma outra perspectiva. Para além das suas histórias, há algumas pessoas que, discretamente, gostaria de mencionar. Primeiramente, à minha esposa, Cecilia Cavalcante, minha eterna bailarina e companheira de muitas aventuras. À toda minha família, em especial, a minha mãe, Tânia Batalha, que sempre batalhou para que eu tivesse a melhor educação, e as minhas irmãs, Laura e Lara, e ao meu tio Fábio Batalha. Ao meu editor, Ronald Dória, e a toda a equipe do Jornal da Cidade liderada por Eugênio Nascimento, Alfredo Moura e seu presidente Marcos Franco. À Academia Sergipana de Letras, em especial, aos Imortais José Anderson Nascimento, Luzia Nascimento e Estácio Bahia Guimarães. Aos excepcionais Doris Sommer (Harvard University), Carlos Pinna de Assis (Academia Sergipana de Letras) e Schuyler Korban (University of Illinois at Urbana-Champaign), que me presentearam com os textos de abertura do meu livro. À  Larissa Fawkner, Allen Gontz, Ramesh Sharma, Vinod Kanvaria, leitores ávidos dos meus escritos no exterior. À Elisângela Queiróz, pela aquarela, e a João Victor, pelo design, que compõem a capa do livro. A todos os educadores, no Brasil e no exterior, em especial aos colegas e alunos da Uninassau. A todos os meus amigos, representados aqui, na pessoa de André Cabral. E, por fim, mas não por último, a meu pai, Alberto Nery, por ser uma fonte eterna de inspiração em minha vida.

Na próxima segunda-feira, 2 de setembro, às 18hs, estarei na Academia Sergipana de Letras para o lançado o meu livro “Educação pelo Mundo - Vida em Crônicas”. Ficarei muito honrado com a sua presença e imensamente feliz de poder compartilhar este momento ímpar com você, caro leitor. Espero você lá!

 

The Book

The chronicles I write in this column represent a piece of my personal and professional life story. They all go back to concepts and elements that are fundamental to understanding how we can advance the debate about education in our country. When I started writing weekly for Jornal da Cidade, I knew that the stories, which I already shared informally with my friends, could find a new audience and, with luck, they would help them understand the dilemmas we educators had to face in our daily lives.

I committed to writing weekly. To do so, I adopted a style of writing centered on cases and life stories, always seeking to bring to the reader a central element, a conflict, which still needs to be overcome in education in Brazil. I learned this methodology in the United States. There, I saw the professors always use in their classes case studies, which deal essentially with life history. I learned that life stories inspire students to search for more knowledge, and I adopted this strategy in my classes and my writings, always with theory and data as support. I drew as a challenge to bring out what I learned from many people around the world. I have always had a close look at how people innovate in solutions to the problems that plague them in life in society. Sharing these experiences became, week after week, a mission for me. I noticed as I talked with some friends and readers that they provoked them. I began to adopt, as a strategy, the notion that the articles published in this column should always stir the mind and the hearts that are often hardened by dealing with such a difficult reality as ours. Any change from reading my ideas would be a benefit.

Putting significant parts of my story into written words helped me realize how far I have walked and how much everything I have experienced so far needed to be put into perspective. I sought to focus on how some good practices I have learned can help our country overcome the many educational challenges we have. It is a critical analysis of what is adopted by the best schools and universities around the world and, as a policy, by other countries, understanding that solutions cannot always be adopted immediately and that many cultural differences need to be respected. Except for my recent trips abroad, which I sought to report to what I saw and lived immediately to the reader in Jornal da Cidade, the other articles did not follow a pre-established schedule. In some articles, I recount my experiences with my father and mother, and how my ancestors contributed to my humanistic education. In others, I wrote about friends who touched me deeply, people with whom I learned a lot in times of great difficulty. Their stories also emerged randomly in my memory as cases that needed to be told. In just one article I discussed, in advance, the theme that would be the object of my writing. This is the article I wrote especially for the Sergipe Academy of Letters, which was published in its entirety by Jornal da Cidade. I sought to privilege in all articles the strength of their life stories. I used them as a vehicle of inspiration so that others could look for similar or worthwhile deeds in their lives.

The 50 chronicles I wrote for Jornal da Cidade between 2018 and 2019 became a book. This book is the fruit of a life dedicated to education. The publication was carefully edited by SEGRASE/EDISE, and I received it from its president, Ricardo Roriz, last Monday. It was one of the most exciting moments of my life. I have much to thank for each of the life stories I've told in my column so far, as they have led me to see the world from another perspective. In addition to their stories, there are some people who, discreetly, I would like to thank. First, to my wife, Cecilia Cavalcante, my eternal dancer and companion of many adventures. To all my family, especially my mother, Tania Batalha, who always struggled to give me the best opportunities in education, and my sisters, Laura and Lara, and my uncle Fabio Batalha. To my editor, Ronald Doria, and the entire Jornal da Cidade team led by Eugênio Nascimento, Alfredo Moura and its president Marcos Franco. To the Sergipe Academy of Letters, in particular to the Immortals José Anderson Nascimento, Luzia Nascimento, and Estácio Bahia Guimarães. To the exceptional Doris Sommer (Harvard University), Carlos Pinna de Assis (Sergipana Academy of Letters) and Schuyler Korban (the University of Illinois at Urbana-Champaign), who presented me with the opening texts of my book. To Larissa Fawkner, Allen Gontz, Ramesh Sharma, Vinod Kanvaria, avid readers of my writings abroad. To Elisângela Queiróz, for her watercolor, and João Victor, for her design, who make up the book's cover. To all educators in Brazil and abroad, especially to colleagues and students of Uninassau. To all my friends, represented here, in the person of André Cabral. And last, but not least, to my father, Alberto Nery, for being an eternal source of inspiration in my life.

Next Monday, September 2, at 6 pm, I will be at the Sergipe Academy of Letters for the launching party of my book "Education Around the World - Life Chronicles." I will be very honored with your presence and immensely happy to be able to share this unique moment with you, dear reader. See you there!