16/05/2018 as 09:26

Correios

Mais de 500 agências serão fechadas

Em Sergipe, atualmente os Correios contam com cerca de 760 funcionários para todas as áreas no Estado.


Por Laís de Melo 

O presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos anunciou recentemente a pretensão de fechar as portas de 513 agências nos próximos meses e demitir 5.300 trabalhadores. Existe, inclusive, proposta aprovada desde fevereiro deste ano pela comissão diretora da empresa, segundo informações divulgadas. Para os diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Estado de Sergipe (Sintect), a decisão faz parte da estratégia para levar a empresa à privatização.


                                       


Em Sergipe, atualmente os Correios contam com cerca de 760 funcionários para todas as áreas no Estado, segundo o diretor do Sintect, João Neto. De acordo com ele, há cerca de quatro anos o número de servidores era na faixa de 1.100, o que já não era satisfatório para a prestação dos serviços à população sergipana.


“Acreditamos que antes dessa situação, de fechamento das agências, já vieram várias outras para levar à privatização, como os planos de demissões voluntárias, por exemplo. Mesmo sabendo que a situação era contrária, a empresa vem manifestando um posicionamento de crise para justificar o déficit”, ressalta João.


O posicionamento da empresa tem sido suspeito para servidores e sindicalistas da categoria. “Até então, ano passado, a empresa era deficitária, no único pretexto de com isso mudar o plano de saúde da gente. Aí agora, esta semana, a empresa apresentou lucro. O que vinha se rebatendo, de uma hora para outra começou a dar lucro. São questões contraditórias. Onde eles vêm mentindo e faltando com a verdade. Porque nós já estamos alegando que o principal motivo da empresa é o projeto de reestruturação com vista na privatização”, disse.


Para João, a privatização será negativa tanto para servidores como para a população de maneira geral. “Vão fechar as agências de alguns municípios do Estado, com grande cunho social, se for privatizado. Quem vai sofrer com isso são os idosos que retiram suas aposentadorias nessas agências. As pessoas vão ter que se deslocar desses interiores para outros por conta desse fechamento de agências. Fora as outras, como a descentralização da parte de encomendas e correspondências, onde em qualquer esquina haverá uma concessão para os clientes tratarem das distribuições. São dois pontos principais, onde quem sofre é a população em primeiro lugar”, disse.

Segundo o diretor, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa realizará no próximo dia 17 de maio uma audiência pública em Brasília para tratar sofre o fechamento das agências.

Nota Correios
O encerramento das atividades de algumas agências faz parte do projeto de remodelagem da rede de atendimento dos Correios, que prioriza a maior eficiência na cobertura de mercado e a necessária racionalização de custos, sem perder de vista as necessidades dos clientes. Contemplando novos canais digitais e outras formas de autosserviços, esse redesenho visa à modernização da empresa para torná-la mais ágil, competitiva e sustentável. Ao final de sua implantação, o número de canais disponibilizados para o atendimento ao público será maior do que o número de agências hoje existentes no país.

Para que esse processo ocorra da melhor forma, os Correios estão realizando estudos pormenorizados de sua rede de agências, que estão sendo acompanhados pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Somente após a conclusão desses estudos e a avaliação dos resultados pelos Correios e órgãos competentes, a empresa divulgará o número e a lista de agências que serão fechadas. Nenhuma agência será desativada antes que se tenha certeza técnica para tal ação.