09/07/2018 as 07:42

Cidades

População reclama dos terminais de ônibus

SMTT diz que terminal do Centro passará por readequações.


População reclama dos terminais de ônibusFoto: André Moreira/Equipe JC

Para os usuários de transporte coletivo em Aracaju, não há outra alternativa a não ser aprender a conviver com a falta de estrutura dos terminais públicos de ônibus. São catracas sem funcionar, banheiros sem qualquer tipo de higiene, espaço servindo de estacionamento para motos, e uma desorganização geral. As condições precárias desagradam à população, no entanto, não há muito o que ser feito, já que as pessoas dependem do transporte público para se locomover.

O senhor Gilson Bispo precisou usar o sanitário no terminal Luiz Garcia na manhã de ontem, 6, e ficou chocado com o que viu. “Eu sou do interior do estado e estou aqui só de passagem hoje. Precisei usar o banheiro desse terminal pela primeira vez e, sinceramente, isso aqui é totalmente sem condições de uso. Deveria estar interditado, era melhor. Eu que sou homem ainda dou um jeito, mas, para uma mulher é impossível”, relata o cidadão.

Segundo as declarações de alguns comerciantes locais, que preferiram não se identificar, o banheiro serve como abrigo para muitos usuários de drogas da região. Inclusive, a criminalidade neste terminal preocupa os usuários e faz com que permanecem sempre alerta.

“Aqui não tem segurança nenhuma. Muitos roubos de celular acontecem sempre. Mas não é só esse o problema. Você já viu o banheiro? Aquilo ali é uma vergonha”, ressalta Dinha Oliveira.

Recentemente o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) preparou uma nova planilha de custos que foi enviada para a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) para análise. Na planilha, o Setransp aponta que o valor real da tarifa de ônibus deveria ser R$ 4,40 para poder cobrir os custos do sistema.

Para o trabalhador aracajuano que depende do transporte público, a tarifa atual de R$ 3,50 já é um custo muito alto. “Se aumentar ainda mais, vai ser um verdadeiro problema. A gente só vê o preço subir, mas, nada melhora. Os ônibus nunca estão em boas condições. Sempre quebram. Atrasam. Aqui no terminal passamos por humilhações para usar banheiro. Estamos sempre sujeitos à assaltos. Seria inadmissível esse valor”, desabafou Dinha.

Segundo o Setransp, não houve pedido de reajuste no valor da tarifa. “Essa foi apenas uma apresentação do valor que real que deveria ser cobrado já que nós não temos desoneração nenhuma de impostos no nosso sistema, não tem subsídios, não tem fonte de custeio para as gratuidades, então, tudo o que se tem incide na tarifa. Os aumentos dos custos incidem na tarifa, assim como a deterioração dos veículos. Até as condições das vias prejudicam na tarifa. Mas, não foi solicitado reajuste para esse valor”, explicou a assessoria do Setransp.

Sobre as reclamações da população quando as condições do terminal de ônibus no Centro da capital, a SMTT informou por meio de nota ele passará por readequações após as reformas dos terminais de integração da Atalaia e Mercado. “A previsão, segundo o Plano de Mobilidade Urbana, é que isso aconteça até o próximo ano. Sobre a manutenção dos terminais, existe um acordo entre SMTT e as empresas de ônibus, que são responsáveis pela limpeza destes locais. O serviço é realizado regularmente, mas, é preciso que haja maior zelo da população com o patrimônio público”, disse a SMTT.

Laís de Melo/Equipe JC