10/07/2018 as 08:09

Em sergipe

Municípios sofrem com a falta de saneamento básico

Deso tenta levar esgotamento sanitário para toda a região metropolitana.


Municípios sofrem com a falta de saneamento básicoFoto: Jadilson Simões

Infelizmente, Sergipe ainda tem muito o que fazer para oferecer às pessoas um ambiente limpo e saudável. Em vários bairros de Aracaju e em diversos municípios sergipanos, não há saneamento básico e as pessoas convivem com o esgoto e lixo a céu aberto, na porta de suas casas, sem nenhum tipo de tratamento. Nessas condições, a proliferação de doenças é inevitável, assim como a contaminação das pessoas. Os próprios dados da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso mostram a discrepância entre o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto. Enquanto a água está presente em quase 100% das residências sergipanas, o tratamento de esgoto está somente em 55%.


O engenheiro José Gabriel Almeida de Campos, diretor-presidente da Deso, explica que saneamento básico contempla quatro vertentes: coleta de lixo, drenagem da água da chuva, esgotamento sanitário e abastecimento de água. “Ao que compete à Deso (abastecimento de água e tratamento de esgoto), infelizmente temos uma realidade desequilibrada não só em Sergipe, mas em todo o Brasil. O saneamento básico é uma preocupação relativamente recente no Brasil, assim como a destinação adequada para o lixo doméstico. Então, são anos de passivo, temos cidades seculares desprovidas de rede de esgotamento, e esse passivo é um grande problema”, afirma.


Tratada como segundo plano ao longo dos anos, a Deso tenta agora levar esgotamento sanitário para toda região metropolitana da capital sergipana. Mas para levar rede de esgotamento sanitário aos bairros, é preciso um pouquinho de paciência por parte da população, já que esse tipo de obra incomoda a população.


“Mas muito já foi feito. A cobertura da rede de esgoto da região metropolitana já chega a mais de 99%. Hoje todo o esgoto que a Deso capta é tratado. Porém, nós temos aqui investimentos previstos da ordem R$ 225 milhões para a implantação da rede de coleta e tratamento de esgoto que vai abranger mais de 45% de Aracaju. Recebemos essa semana para realizar a obra do bairro Jabotiana. Sol Nascente, JK; além da Zona Norte, como o Bugio, Lamarão, Santos Dumont, Soledade, etc. Todas essas comunidades estão desprovidas de rede de esgoto e receberão esses investimentos”, informou.


Além desses locais, o engenheiro revela ainda quais municípios já estão com obras em andamento, concluídas ou que serão contempladas com os serviços. Em Socorro, já está havendo o teste do sistema. Em São Cristóvão, a obra será reiniciada; e na Praia do Saco a obra será finalizada no início do mês. “Em Lagarto, até o final do ano entregaremos mais de 120 km de tubulações levando a cobertura de água e esgoto para quase 100% do município. Em Itabaiana a obra foi concluída em algumas localidades. Ainda temos uma rede operando em Propriá e também obras sendo executadas pela Codevasf”.


José Gabriel frisa que a cultura vê o esgoto de maneira terciária, onde o que importa apenas é o abastecimento de água. “O esgoto nunca recebeu essa importância, mesmo tendo uma legislação ambiental. O brasileiro não se importa com o esgoto, mas se queixa da tarifa que é cobrada. Mas para a Deso, um metro de esgotamento sanitário custa três vezes mais que um metro de abastecimento de água”.


Outro problema citado pelo diretor da Deso é que não adianta a Companhia fazer a sua parte de implantação do sistema, se a população não fizer sua parte. “Nós fazemos a rede de tratamento, mas muitos condomínios e residências não fazem a ligação na rede. Infelizmente, não temos poder de polícia para intervir, mas aí os casos são passados para os órgãos ambientais como a Sema, Adema e o Ministério Público”, disse o engenheiro José Gabriel.

Grecy Andrade/Equipe JC