12/07/2018 as 07:44

Trânsito

Faixas exclusivas: SMTT vai recorrer da decisão

Condutores dividem opinião quanto à viabilidade da faixa azul.


Faixas exclusivas: SMTT vai recorrer da decisãoFoto: André Moreira/Equipe JC

Uma das ações para priorizar o uso do transporte coletivo e melhorar a fluidez do trânsito em Aracaju veio com a implantação das faixas exclusivas para ônibus em algumas avenidas da capital. O assunto divide opiniões entre motoristas de carros de passeio e motoristas e usuários dos coletivos e na terça-feira, 10, o Tribunal de Justiça de Sergipe decidiu que as faixas exclusivas podem ser utilizadas por qualquer veículo. Aos motoristas desavisados, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju (SMTT) informou que as faixas só serão retiradas quando se esgotarem as possibilidades de interposição de recursos.

Para a cobradora de ônibus Eunina Santos, as faixas exclusivas vieram para melhorar e muito o trabalho dos motoristas e a vida dos usuários, pois diminuiu o tempo de viagem e, consequentemente, a espera do usuário pelo veículo. “Logo que foi implantada e a fiscalização era mais rigorosa havia resultado usar a faixa exclusiva, porque esse espaço fica livre e os ônibus têm como circular com mais rapidez. Priorizar a faixa é fazer com que mais pessoas usem o transporte coletivo”, opinou.

O também cobrador Jorge Wagner concorda com a opinião da colega de trabalho. “Todo mundo fala que o transporte público tem que ser priorizado e quando finalmente temos um sistema que funciona para nós querem acabar. Nós que estamos diariamente nesse serviço sabemos o quanto ele funciona, o quanto ficou mais rápido se deslocar de um local para outro, até para o usuário é melhor”, disse.

A estudante e usuária do sistema de transporte coletivo Nayara Rabelo contou porque não concorda com a decisão do TJ. “Essa decisão só agrada quem tem carro, mas o Judiciário está esquecendo que a prioridade é o transporte coletivo e que muita gente depende dele. Então, priorizar a coletividade”, acredita.

A comerciante Marlete Martini diz que concorda com a decisão da Justiça sergipana. “Aracaju não tem estrutura para receber esse tipo de modificação nas vias. Em horários de pico a gente vê os carros em longas filas e as vias destinadas aos ônibus sem nenhum veículo, já que eles demoram de 20 a 30 minutos para passar”, colocou.

O autônomo Sidclei Souza também concorda que a estrutura viária de Aracaju não condiz com a implantação das faixas exclusivas. “Passei um tempo morando fora e quando voltei as faixas haviam sido implantadas na cidade, e o que já era um caos antes, piorou. A cidade não tem condições de tirar uma faixa e deixar só para ônibus”.

Após ouvir a opinião dos aracajuanos, o JORNAL DA CIDADE entrou em contato com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju (SMTT) e com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) para saber se eles iriam recorrer da decisão da Justiça. Confira abaixo o que disseram:

“A SMTT vai recorrer da decisão judicial sobre o fim das faixas exclusivas para ônibus na cidade por acreditar que elas dão maior rapidez ao sistema de transporte público utilizado por aproximadamente 230 mil pessoas por dia. A SMTT esclarece ainda que, caso aconteça, a retirada das faixas deve acontecer após o trânsito em julgado do processo, que ocorrerá quando se esgotarem as possibilidades de interposição de recursos. Ou seja: as faixas exclusivas para ônibus continuam valendo das 6h às 20h, de segunda a sexta-feira, e a SMTT seguirá fiscalizando o uso adequado delas”, disse o órgão de trânsito.

O Setransp disse que “os mais de 230 mil passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo, quase 70% dos deslocamentos da população, estarão agora disputando o mesmo espaço das vias que os usuários de carro particular, que podem escolher horário e local para trafegar. A decisão contrária às faixas para ônibus configura-se como o único caso no país, compromete o cumprimento dos horários das linhas do transporte coletivo e prejudica diretamente a mobilidade urbana como um todo, uma vez que o ônibus, que pode transportar até 60 pessoas, volta a estar sujeito à ocupação total das vias por carros particulares que transportam em média 1,3 pessoa por veículo. O setor de transporte coletivo irá recorrer contra decisão”, diz a nota.

Grecy Andrade/Equipe JC