10/08/2018 as 09:27

Justiça

Conselheira critica filas para cirurgias cardíacas

“300 pacientes esperam pelo dia em que o governo quiser operar”, diz Susana.


Conselheira critica filas para cirurgias cardíacasFoto: Divulgação

Ontem, na sessão do pleno no Tribunal de Contas do Estado (TCE), a conselheira Susana Azevedo destacou uma matéria do JORNAL DA CIDADE e chamou a atenção dos gestores, principalmente da pasta da Saúde, sobre a situação dos sergipanos que dependem diretamente do Sistema Único de Saúde (SUS). “300 pacientes esperam pelo dia em que o governo quiser operar”, criticou.


A matéria do JC – com título “HC: 300 pacientes cardíacos continuam à espera de cirurgia” (veiculada na edição de ontem, no caderno Cidades) – apontou uma revelação feita pelo promotor Francisco Ferreira de Lima Júnior, do Ministério Público Estadual, que vem acompanhando a suspensão de cirurgias cardíacas no Estado. A UTI Cardíaca do Hospital de Cirurgia está fechada desde o dia 19 de junho para reforma, mas até agora os serviços não foram retomados.


Durante a discussão do tema no TCE, a conselheira Susana Azevedo frisou que o conteúdo apontado pela equipe de reportagem do JC revela como está o cenário da saúde no Estado. “Mostra que realmente nós chegamos a uma situação de lástima, de vexame. E o que o governo diz de tudo isso? Qual é a resposta do governo com essa de 300 pacientes cardíacos estarem esperando por cirurgia? ”, questionou.


Com o impresso em mãos, a conselheira apontou que, infelizmente, as cirurgias cardíacas não têm mesmo data para acontecer. “O Hospital de Cirurgia ainda não abriu para as cirurgias. Não têm condições de fazer, mas a Secretaria de Saúde tem a obrigação de encontrar outra maneira, outro hospital. O que nós não podemos deixar é que os nossos sergipanos, que estão precisando de uma cirurgia, esperem o dia em que o governo queira operar”, registrou indignada.


Além disso, Susana Azevedo afirmou querer saber como deve ser feito o critério de prioridade para operar numa fila onde existem 300 pacientes. “Quem tem uma cirurgia cardíaca para ser feita e quem pode esperar? Como escolher quem é que vai primeiro, de imediato? Todos esses estão precisando da operação imediata”, acrescentou.

Pacientes oncológicos
Na oportunidade, a conselheira lembrou que os pacientes oncológicos de Sergipe vivem uma situação similar. “Tenho colocado aqui também a questão do câncer. Pessoas continuam indo para Arapiraca-AL ou Lauro de Freitas-BA para fazer tratamento. Nós estamos numa capital e lá, o interior, está melhor que aqui. Ninguém faz nada, não vemos nenhuma solução. Eu não entendo. O que eu acho interessante é que ainda conseguem dormir tranquilos, achando até que estão fazendo o melhor e vendo as pessoas morrendo”, concluiu.

Mayusane Matsunae/Equipe JC