13/09/2018 as 11:11

Prisão preventiva

Radialista George Magalhães é preso por coagir testemunha

"Houve uma tentativa de mudar o rumo das investigações" analisa a delegada Renata Aboim, responsável pelo inquérito que investiga a prática do crime de estupro.


Radialista George Magalhães é preso por coagir testemunhaFoto: André Moreira/Equipe JC

O radialista George Magalhães foi preso no início da manhã desta quinta-feira, 13, pela Polícia Civil, através do Departamento de Grupos Vulneráveis (DAGV). O comunicador é acusado de estuprar uma mulher de 42 anos. De acordo com a delegada Renata Aboim, responsável pelo inquérito, George teve a prisão preventiva decretada por coagir uma testemunha. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa realizada hoje na sede do DAGV.

Desde o final de agosto, após registro de Boletim de Ocorrência, foi instaurado um inquérito policial contra o radialista, suspeito de cometer o crime de estupro. Após ser instigada quanto à identidade da testemunha que tinha sido coagida, a delegada Renata confirmou ter sido o porteiro do prédio Infinit, onde aconteceu o suposto crime.  

“Houve uma tentativa de mudar o rumo das investigações. Inicialmente essa testemunha prestou as informações conforme aconteceu no dia do estupro. Depois, foi solicitada a reinquirição da testemunha, alegando que havia novas informações a serem passadas. Nisso, foi dito que a vítima havia prometido dinheiro a essa testemunha”, explanou.

Devido ao desencontro de discursos, a delegada explicou que foi realizada uma acareação entre a vítima e a testemunha para detectar a veracidade dos fatos. A vítima manteve suas declarações, como havia feito anteriormente. Já a testemunha afirmou ter sido coagida pelo investigado. “Na acareação a testemunha voltou atrás e disse que em nenhum momento a vítima tinha oferecido dinheiro a ele. Ele confirmou que teve um contato com o agressor, o qual ofereceu dinheiro e outras vantagens para ele retornar a delegacia e mudar a versão dos fatos”, frisou.

A identidade da testemunha não foi revelada. Consoante a delegada, é em decorrência da “preservação da imagem das pessoas”. George Magalhães foi preso por volta das 5h de hoje, na garagem do seu prédio, quando estava saindo para o trabalho. Ele apresentava o Jornal da Fan, no rádio. Quando o caso for enviado à justiça, o radialista pode responder pelos crimes de estupro e corrupção. 

No inquérito contra George Magalhães, já tem anexado o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que constatou a presença de espermatozoide e PSA (Antígeno Prostático Específico) no corpo da vítima, imagens do circuito interno de segurança do prédio, laudos psicológicos da vítima e provas testemunhais.

No momento, o DAGV segue no trabalho de finalização do inquérito para o encaminhar à justiça. A equipe aguarda um laudo de um celular, que foi entregue à perícia para análise. “Já estamos no final do inquérito. O que ensejou o pedido de prisão foi a comprovação de que ele corrompeu uma testemunha para tumultuar a verdade dos fatos”, afirmou a delegada Mariana Diniz, coordenadora do DAGV.

Denúncia

A delegada Renata Aboim confirmou que houve a denúncia de uma segunda vítima, que também alega ter sido estuprada pelo radialista. “Esse é um caso que supostamente aconteceu há quinze anos, então já transcorreu o prazo legal e a gente não pode instaurar o inquérito acerca desse fato”, explanou.