15/04/2019 as 14:05

Fato recorrente

Cordelista sergipana tem poesia plagiada

Obra de Izabel Nascimento estava circulando pelas redes sociais


Cordelista sergipana tem poesia plagiadaFoto: Divulgação

“Esse tal de zap zap é negócio interessante. Eu que antes criticava, hoje teclo a todo instante. Quase nem durmo nem almoço, e quem inventou esse troço tem uma mente brilhante”. Este é um dos trechos do ‘Cordel do WhatsApp’ de autoria da cordelista sergipana Izabel Nascimento e que agora está sendo alvo de um processo por plágio. Após circular nas redes sociais por muito tempo como se o texto fosse de autor desconhecido, Izabel tomou conhecimento de que uma pessoa, em outro estado, havia declamado o cordel num programa de televisão creditou a autoria a ela e não a autora original.


“O Cordel do WhatsApp foi escrito em 20 de janeiro de 2015 e depois dessa data, ele foi publicado nas redes sociais e começou a circular por todo o Brasil. Inicialmente, o cordel circulou como autor desconhecido e depois recebi um vídeo de uma pessoa que declamou o cordel em um programa de TV colocando-se como autor do texto”, contou Izabel.


A cordelista, que escreve há mais de 30 anos, ressaltou que ao ver a sua criação sendo apresentava como de outra pessoa sentiu indignação, ainda mais porque isso nunca tinha acontecido com ela. “Nunca os cordéis haviam ultrapassado a barreira de aparecer nas redes sociais, este foi o primeiro, foi um marco, pois apesar de termos muitos cordelistas, eles não divulgavam suas criações nas redes sociais. Então, o Cordel do WhatsApp foi um divisor de águas”.


Izabel comenta ainda que o plágio no cordel é uma coisa recorrente, tanto no sentido histórico, como no atual. “O cordelista Leandro Gomes de Barros, por exemplo, já era vítima de cópia do seu trabalho lá no ano de 1900, onde ele também teve seus folhetos reproduzidos sem autorização. Infelizmente, existe uma vulnerabilidade social muito grande no cordel por ser considerada uma literatura de menor valor, mas é preciso assegurar aos cordelistas os direitos que eles têm”, afirma.


Para não prejudicar o processo, o andamento da ação judicial e nem o nome da pessoa processada serão divulgados. “A ação está sendo conduzida pelo advogado Jorge Botelho. Para mim, reivindicar a autoria de um texto que é meu é uma questão histórica. O cordelista precisa ser reconhecido como autor de sua obra, a população precisa saber quem de fato escreveu e reconhecer. Esse é o verdadeiro sentido da ação judicial”, finalizou a cordelista Izabel Nascimento.