11/07/2019 as 10:21

Métodos/Procedimentos

Identificação de corpos no IML segue padrões científicos

Objetivo é de implantar um banco de dados de desaparecidos em SE.


Identificação de corpos no IML segue padrões científicosFoto: Divulgação

Em maio de 2015, a família do idoso Manoel Messias, de 76 anos, viveu um verdadeiro pesadelo após o corpo dele ter sido encontrado em estágio avançado de decomposição, no Povoado Pau Ferro, município de Maruim.


Apesar de a família ter reconhecido o corpo como sendo do idoso, o Instituto Médico Legal de Sergipe (IML) solicitou exame de DNA para comprovar a identidade do falecido.


Mais recentemente, na semana passada, uma mãe procurou a imprensa para denunciar a demora na liberação do corpo do filho, que morreu num confronto com a polícia. Apesar de todo o sofrimento em ambos os casos, o Instituto Médico Legal de Sergipe possui protocolos de identificação que respeitam padrões cientificamente comprovados. Tudo para evitar falhas na hora de entregar o corpo ao familiar.


Segundo a odontolegista do IML, Suzana Maciel, não existe mais o reconhecimento realizado por um familiar. Este corpo só é liberado com a comprovação de identidade feita através de procedimentos científicos.


“A gente criou um protocolo de identificação de pessoas, porque já teve situações de se entregar um corpo trocado. Depois que um indivíduo morre, após algumas horas, acontece alguns fenômenos que a gente chama de transformativos e que deixam as pessoas muito parecidas. Então assim, não pode ter um reconhecimento visual. O reconhecimento visual é totalmente falho, subjetivo. Entra um familiar e diz ‘aquela pessoa é o meu familiar’, só que ela está dentro do IML, que é um ambiente muito pesado, está numa situação emocional muito abalada. Existem muitos erros”, explica Suzana.


Ela alerta ainda para uma mudança de cultura das pessoas quanto à rapidez na liberação dos corpos no Instituto.


“Nós estabelecemos um protocolo de identificação. Já está vigente e tem cerca de dois anos que a gente tem tentado implantar e não é fácil porque a gente tem que mudar uma cultura, que não é fácil, mudar uma cultura que existe de achar que o corpo entra no IML e tem que sair rápido. Na verdade, apesar de a gente entender toda a dor da família, por exemplo, nós estamos ali para trabalhar pela sociedade, para o Estado, mas também pelas famílias, num momento de desespero e de muita dor, mas a gente não pode errar. Se a gente errar, a gente prejudica o nosso trabalho, mas principalmente a vida dessas famílias”, alerta a odontolegista.


O atual protocolo desenvolvido pela equipe do IML está dividido em quatro métodos que, a depender do caso, é definido qual o mais adequado para a identificação, baseando-se no que preconiza a literatura e com embasamento no documento redigido pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), em 2014, que versa sobre a temática.


O primeiro procedimento, considerado o mais simples e mais prático para identificar uma pessoa, é através da digital, devido à coleta (deca) feita para a retirada do RG. Então, os papiloscopistas tentam coletar a digital daquele indivíduo que morreu. Mas, em muitas situações isso não é possível, partindo-se para o segundo método, que se dá através da odontologia.


Neste método, o indivíduo pode ser reconhecido através da arcada dentária, baseado em tratamento odontológico que tenha sido feito durante a sua vida, ou até mesmo através de fotografias do sorriso.


Existe também a possibilidade de identificação através da antropologia, que é o estudo do corpo humano. “Muitas vezes a gente usa imagens de tatuagens junto com outros sinais que ele tenha, cicatrizes, patologias. O esqueleto de uma pessoa nunca é igual ao de outro, por mais que a gente tenha os mesmos ossos”, explica Suzana.


Após todos esses métodos e tentativas frustradas de identificação, a equipe encaminha para a realização do exame de DNA, que raramente se faz necessário dentro das possibilidades ofertadas pelo protocolo. “Esse é o protocolo de investigação que a gente segue aqui. Claro que ainda não estamos na perfeição, tem muita coisa para melhorar, mas temos caminhado bem”, esclarece a profissional, que possui mestrado e doutorado em Odontologia Legal e Antropologia Forense.


Atualmente, poucos corpos ocupam a geladeira do Instituto Médico Legal. Vale ressaltar que nenhum destes estão lá por falta de identificação. Na verdade, trata-se de corpos não reclamados por familiares e que, após o exame papiloscópico, não foi possível encontrar digital compatível no sistema da Secretaria de Segurança Pública. São os chamados corpos desconhecidos ou ignorados.


Além disso, também estão na geladeira do IML aqueles corpos identificados e que a família nunca apareceu para reclamar.

Pensando nisso, uma vez por mês, a equipe de comunicação da SSP divulga os nomes dessas pessoas a fim de encontrar os seus familiares.


“O objetivo é criar um banco de desaparecidos em Sergipe em que a gente consiga começar a chamar famílias que estão com pessoas desaparecidas, começar a coletar esses dados e comparar com o que a gente tem. Esse é um projeto que a gente tem e que não é tão simples de colocar em prática, mas que a gente vai conseguir”, finaliza Suzana Maciel.

Por Diego Rios/Equipe JC











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