27/08/2019 as 08:44
NA PRAIAA ação é uma iniciativa da Igreja Messiânica Atalaia e acontece pela segunda vez no local.
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Foto: Clara LisboaDomingos ensolarados são um excelente convite para curtir uma boa praia. Foi o que um grupo de jovens fez no último dia 25, porém, ao invés de vestirem roupas de banho para curtir o sol e até mesmo dar alguns mergulhos a turma resolveu vestir luvas e catar lixo na Praia Formosa, em Aracaju. Foram cerca de 110 kg de lixo recolhidos durante, aproximadamente, três horas de ação. Sacolas plásticas, copos descartáveis, garrafas de vidro, tampinhas, sapato, sandália e até mesmo pneus foram retirados da areia da praia.
A ação é uma iniciativa da Igreja Messiânica Atalaia e acontece pela segunda vez no local. Mas, apesar de estar ligada à igreja, a ação é extra religiosa, podendo contar com participação de todos da sociedade aracajuana. Dessa vez, cerca de 20 pessoas participaram da catação e o resultado foi surpreendente. Segundo um dos envolvidos, o engenheiro de materiais, Victor Teixeira, além de ser um ato em prol do meio ambiente, um dos objetivos principais é conscientizar e educar a população, afim de informar sobre a destinação de cada material catado.
“A nossa atividade é sobretudo educacional. Depois de catar, nós colocamos todos o lixo acumulado e separamos o que vai para a cooperativa e o que não vai. Nisso o pessoal acaba ficando impactado porque muita coisa acaba não indo, apesar de ser reciclável. Por isso a intenção é conscientizar. Por exemplo: comprou água em garrafa pet, então use para a vida. Somos responsáveis por aquilo que a gente coloca na natureza e por aquilo que a gente compra. Por isso o trabalho de conscientização, para mostrar que é em casa que a gente muda os hábitos e é a partir de casa que a gente evita com que o lixo chegue aqui”, explica Victor.
Na primeira atividade realizada pelo grupo na Praia Formosa, em meados de maio deste ano, foram recolhidos cerca de 60kg de lixo e cinco pneus automotivos. Eles realizaram também uma ação na Praia da Cinelândia, no entanto estava chovendo no dia e somente cinco pessoas compareceram, o que rendeu 20kg de lixo catado. Ainda conforme Victor, um dos pontos principais da ação é a destinação dada ao lixo recolhido.
“Da última vez veio um caminhão da prefeitura. Dessa vez não tem caminhão, mas vamos deixar num ponto de coleta específico. Porque se a gente pegar e colocar num lixo comum vai acabar se perdendo, vai para queimada, ou o vento acaba levando, e acaba poluindo do mesmo jeito”, ressalta.
Segundo o engenheiro, a primeira ação realizada na Praia Formosa aconteceu no mesmo dia de um evento de corrida no local e a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) informou a eles que faria a limpeza por completo.
“Nós pensamos que chegaríamos aqui para realizar a atividade e não encontraríamos nada, mas foi só nos afastarmos da parte visível para nos depararmos com o lixo. Então, até mesmo a limpeza pública se preocupa mais com o visual. Só da gente imaginar que isso que cai aqui era um córrego, um rio limpo, e hoje é um canal, já bate uma tristeza. E se a gente imaginar todo o mangue que a gente tinha aqui, mas, parte do mangue está morrendo, e tudo isso é poluição...”, lamentou.
Após catarem os cerca de 110kg de lixo, os jovens reuniram todo o material para fazer a separação e foi nesse momento em que tiveram a oportunidade de aprender sobre o que serve para ser reciclado. A maior parte, apesar de ser material reciclável, não serve para retornar, pois a indústria ainda não tem interesse nisso, segundo explica Victor.
“Ainda não é viável para a indústria reciclar alguns tipos de materiais, porque ela vai gastar tempo catando, separando, lavando, para poder colocar de volta no mercado. Para eles não é viável, e não vai ser tão cedo. Eles são responsáveis pelo que eles colocam no mercado e nós somos responsáveis pelo o que a gente compra e coloca na rua. Por isso é importante a conscientização. O que vai para a reciclagem? Garrafa pet, esses potes de margarina e guaramix, resto de balde, pote de detergente, de ketchup e de iogurte, qualquer tipo de metal. Basicamente isso. Vidro não vai mais, porque apesar de ser 100% reciclável, não existe ninguém em Sergipe para poder coletar o vidro e reciclar. Não tem indústria de vidro, então acaba indo para o lixo comum. Então, vidro, copo de plástico, canudo, acrílico, tênis, borracha, isopor, peneira, linha de náilon, lacre não retorna”, informa o engenheiro.
Em resposta
A Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), informa que “realiza de forma contínua ações que promovem a regularidade na limpeza pública da cidade. No calçadão da Praia Formosa, no Bairro 13 de Julho, a empresa mantém uma equipe com agentes fixos que dão suporte na varrição e no recolhimento dos resíduos. Um PEV (Ponto de Entrega Voluntária) é disponibilizado para que a população faça o descarte de resíduos recicláveis. Outros serviços de manutenção são feitos no espaço, como a limpeza na fonte de água, realizada pela última vez no início deste mês. Além disso, os agentes fazem, periodicamente, a coleta dos materiais descartados na região do manguezal e em toda a extensão da faixa de areia, sendo a última ação desta natureza, realizada no último sábado, 24”.
Por Laís de Melo/Equipe JC