10/09/2019 as 08:24

VARIAÇÕES NEGATIVAS

IPCA do mês de agosto gera deflação em serviços

Índice do mês passado variou 0,11%, ficando abaixo de julho.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto variou 0,11%, ficando abaixo da taxa de julho (0,19%). A variação acumulada no ano ficou em 2,54% e nos últimos 12 meses em 3,43%, acima dos 3,22% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2018, a taxa havia sido de -0,09%.


De julho para agosto houve deflação em três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados. As variações negativas mais intensas vieram dos grupos alimentação e bebidas (-0,35%) e transportes (-0,39%). A queda em alimentação e bebidas deveu-se especialmente ao grupamento da alimentação no domicílio (-0,84%). A contribuição negativa mais intensa no grupo veio do tomate (-24,49%), cujos preços já haviam recuado em julho (-11,28%).


IPCA do mês de agosto gera deflação em serviçosAlém disso, a batata-inglesa (-9,11%), as hortaliças e verduras (-6,53%) e as carnes (-0,75%) também recuaram em agosto, contribuindo para a variação negativa do grupo observada no mês. No lado das altas, os destaques foram as frutas (2,14%) e a cebola (7,05%).


De acordo com o economista Neidázio Rabelo, essa queda ocorreu em virtude da instabilidade econômica e alta taxa de desemprego, que fazem com que a população brasileira consuma menos, favorecendo o controle dos preços. Mesmo com a ocorrência de mais contratações, o desemprego ainda é alto: são cera de 12 milhões de desempregados e 17 milhões de pessoas que querem um emprego melhor, ou seja, são 29 milhões entre desempregados e empregados que querem otimizar seu tempo.


“Isso baixa a confiança de quem está empregado, que não assume compras a longo prazo. O mercado está andando lentamente e isso faz com que as empresas trabalhem em cima dos custos para poder oferecer ao cliente um preço menor e mais competitivo, dessa forma o cliente se sente mais confortável para comprar o produto, mas em contrapartida isso faz com que a economia não tenha essa pressão inflacionária”, explica.


A produção ociosa e demanda tímida fazem com que o empresário segure o preço ou baixe para continuar vendendo e é isso que faz o índice inflacionário diminuir. “Essa é uma tendência para os próximos dois anos, onde teremos preços estáveis. A inflação é um dos fatores que decide o crescimento, prepara o terreno para resultados melhores e a volta do crescimento de forma continuada”, finalizou.

 

 

 

| Reportagem: Grecy Andrade

|| Foto: Jadilson Simões/Arquivo JC

 

 

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