10/09/2019 as 09:42

ÍNDICE DE CRIMINALIDADE

População do Bairro América sofre com onda de violência

Grande número de ocorrências preocupa moradores e comerciantes.


População do Bairro América sofre com onda de violênciaFoto: André Moreira/Equipe JC

Não é novidade que o Bairro América sempre foi visto como um local com alto índice de criminalidade. Aliás, de uns tempos para cá parece que a situação tem piorado. Apesar de alguns moradores afirmarem que a coisa tomou grandes proporções após o fim da Polícia Comunitária, é preciso reconhecer que rondas policiais constantes fazem parte da rotina na localidade.


Para se ter ideia da atuação da polícia por lá, na última quinta-feira, 5, por volta das 20h, dois assaltantes invadiram um salão de beleza localizado na Travessa Campo do Brito e foram surpreendidos pelo Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), que conseguiu pegar um dos meliantes em flagrante. Após perseguição, o outro indivíduo também foi alcançado.


De acordo com a proprietária do salão, Cristiane de Jesus, a dupla chegou numa motocicleta e invadiu o estabelecimento. Ela e uma cliente foram surpreendidas e viveram momentos de terror na mão dos bandidos.


“Eu ia atender uma cliente e ela adiantou. Eu lembro que tranquei a porta e estava com alguém atrás de mim. Eles destrancaram e entraram. Eles pegaram o meu celular e o da cliente. Pediram dinheiro a todo momento. Trancaram a cliente no banheiro, ameaçando e pedindo para ela tirar a roupa. Eles apagaram todas as luzes do salão e desligaram a TV. Foi uma tortura psicológica grande. Se eles tivessem levado apenas os pertences a gente não sofria tanto”, lamenta Cristiane.


A cabeleireira disse ainda que é comum escutar relatos de vizinhos e clientes sobre a violência no Bairro América. “Tem um ponto de ônibus aqui próximo e todos os dias as pessoas são roubadas ali. É lamentável”, diz.


Quem também foi alvo da ação de bandidos foi a estudante Selma Nascimento. Ela foi assaltada na chegada para o colégio.
“Tem um mês que eu ia chegando na escola, na Avenida Camilo Calazans, e levaram o meu celular. Ele chegou de bicicleta e pediu o celular. Eu vi que ele estava armado e entreguei. Já na casa da minha amiga, os bandidos tentaram invadir. A violência está muito grande por aqui”, narra a estudante.


Já a opinião do motorista de aplicativo Gabriel Soares diverge um pouco dos demais. Segundo ele, a violência, em sua maioria, se dá a estabelecimentos comerciais.


“A questão dos assaltos é só em estabelecimentos comerciais mesmo. Eu fico aqui na porta da igreja sempre, durante a madrugada, aguardando corridas, pois sou motorista de aplicativo, e nunca vi nada de anormal. Recentemente teve esse salão assaltado e uma lojinha que fica aqui por trás”, ressalta Gabriel.


De acordo com o major Geovânio Feitosa, comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar de Sergipe, responsável pela área do Bairro América, as rondas serão intensificadas na região, mas é preciso que os moradores comuniquem as ocorrências para que a polícia possa agir de forma mais ostensiva e nos pontos de maior risco.


“Infelizmente, a gente só sabe dos casos através da imprensa. Tenho feito o policiamento ostensivo em toda a área. Vamos intensificar as rondas, mas, de forma genérica, não adianta. Semanalmente, duas ou três vezes nós conversamos com os comerciantes para nos aproximarmos mais e realizarmos um trabalho ainda mais eficiente”, afirma o comandante.