21/05/2020 as 10:45

QUARENTENA

Lares sofrem influência do isolamento social e mudanças comportamentais começam a aparecer

As mudanças deverão ser mais profundas a partir de agora, na relação das pessoas e suas casas, que inclusive se transformaram em locais de trabalho. A designer de interiores, Luciana Galvão, explica sobre essas alterações comportamentais nesta matéria

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O isolamento social está fazendo muito mais do que contribuir com o controle do novo Coronavírus, está possibilitando um novo olhar sobre a importância dos lares. As casas são verdadeiros refúgios e com a necessidade de toda família passar mais tempo nela, a percepção da sua funcionalidade, mudou.

Ela sempre acolheu, ajudou no alívio do estresse, mas esses detalhes não eram percebidos com a correria do dia-a-dia, agora as casas tornaram-se ainda mais protagonistas na rotina das pessoas. A designer de interiores, Luciana Galvão, comentou sobre o novo modo de ver as casas. "Mudou o jeito de sentir e aproveitar a nossa casa, de reconhece-la, mais profundamente, como colo, abrigo, espaço de trabalho, relaxamento e amor. Em casa, somos genuinamente nós mesmos, sem medos, sem disfarces. Quando a gente não está bem, a gente só quer a nossa casa e quando a gente fica muito tempo fora, a gente quer mesmo é voltar e dormir na nossa cama, mas não parávamos para observar e compreender a importância disso".

Nunca se ouviu tanto falar em home office como nos últimos tempos, especificamente sobre este cômodo, Luciana explicou que as pessoas acabaram adaptando um espaço da casa para o trabalho, no entanto, as mudanças deverão ser mais profundas a partir de agora. "Houve uma adaptação mais urgente no início da pandemia, mas com as descobertas do que funciona melhor em home office e da dinâmica do que pode ser adotado pós-pandemia, nota-se que esse espaço precisa ir além de uma rápida adaptação, então muitas pessoas já buscam alterações para maior conforto. Aumentaram os pedidos de acréscimo de frigobar e cafeteira, pra evitar a ida até a cozinha e a 'distração' pelo caminho".

Foram muitas mudanças na rotina de uma só vez. Além de levar o trabalho para dentro do lar, as famílias também estão lidando com a presença das crianças em tempo integral em casa. Ter um espaço específico para elas mostra-se ainda mais importante, no entanto, para Luciana, isto deveria ser prioridade com ou sem pandemia. "Se observarmos a casa com os princípios de amor que ela deve abrigar, o espaço das crianças precisa ser prioritário, desde sempre. Boas ideias se encaixam em todos os tipos de projeto. São inúmeras possibilidades como espaços desmontáveis ou propostas verticalizadas de diversão na parede de casa. Há pouco me foi pedido num projeto, uma mesa em baixo da escada para a família ir montando um quebra-cabeças de muitas peças, quem está com vontade, senta lá e monta um pouco, as vezes fazem isso, juntos", contou.

A designer acredita que quando a pandemia passar teremos um novo "normal", uma nova forma de viver e, claro, isso refletirá nos lares. "Nossa casa sempre nos acolheu, mas a gente corria muito e não percebia que ela é mais importante que aquela viagem internacional tão cara ou o carro do ano, porque ela é melhor medida de proteção, com ou sem pandemia, é onde ficamos mais tempo, é o lugar onde construímos histórias de pra sempre, histórias que daqui a pouco serão passado". 

Luciana disse ainda que já começou a perceber mudanças específicas na relação com o lar. "Tenho notado uma maior propensão a pedidos de um hall funcional, ele virou extrema necessidade, com área de cabideiro e acomodação dos calçados que não podem contaminar a casa, por exemplo. Começou-se também a dar mais atenção ao espaço de home office, porque nesse período houve uma redescoberta da sua importância e sabemos que mesmo quando tudo voltar ao 'normal' teremos um novo normal e com a expertise desse novo jeito de trabalhar, sabe aquela coisa de 'uma reunião que poderia ser resolvida com um e-mail' e não, não poderia? Agora ela pode ser resolvida com uma reunião de casa, onde evita-se o trânsito e otimiza o tempo de todo mundo, então as pessoas com visão de futuro, veem urgência em readequar esse espaço para que ele fique mais funcional ergonomicamente", detalhou.

Algumas necessidades foram sentidas ainda durante o período de isolamento social e algumas pessoas estão optando por compras virtuais para adaptarem melhor suas casas. "As vendas online não param justamente por essa readequação da casa. O sofá é campeão de troca, as pessoas querem mais conforto, caiu por terra aquela ideia de um sofá simples de tecido qualquer, porque ninguém iria usar mesmo e agora, até quem achava que não usava está vendo que usa sim, e muito. Com o novo "normal", o sofá não vai mais perder espaço no orçamento, passamos a entender melhor sua importância e este é apenas um exemplo dentre toda a mobília", salientou Luciana. 

Para que os desejos da família sejam atendidos de forma eficiente, a busca por um profissional qualificado é indispensável. "Nós, os profissionais, temos conhecimento técnico, nós fazemos entrevistas com todos os membros da família para que as mudanças possam beneficiar todos os que moram na residência. A escolha da cor, da luz, da mobília mais adequada vai refletir diretamente no bem-estar que a família vai sentir ao estar em casa", frisou, Luciana.

 

|Fonte fotos: Assessoria de comunicação