16/10/2020 as 10:11

LUTO

Após 30 dias, família consegue sepultar sergipana morta na Espanha

Só foi possível ser enviado o corpo para Sergipe, graças as doações de diversas pessoas espalhadas pelo mundo

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Alexandra dos Santos vivia na Espanha há mais de um ano, acompanhada da irmã, Aline dos Santos. Infelizmente, uma fatalidade lhe tirou a vida no dia 13 de setembro. De lá para cá, foram mais de 30 dias de luto e muita aflição para a família sergipana. Somente com doações de pessoas do mundo todo foi possível trazer o corpo da moça para o estado de Sergipe. Chegou ontem por volta das 11h20 da manhã no Aeroporto Internacional Santa Maria, em Aracaju, e finalmente pode ser velado e sepultado.

O acidente de moto aconteceu quando Alexandra voltava de uma comemoração com um amigo. De acordo com a irmã, Aline, no Boletim de Ocorrência foi constatado que o condutor da motocicleta não estava bêbado. “Ele simplesmente desmaiou e perdeu o controle da moto e bateu. Ele sofreu muito, icou bastante machucado, mas, está vivo. Infelizmente o pior aconteceu com a minha irmã”, relembra Aline.

Ela ainda continua na Espanha. Por ligação com a equipe do JORNAL DA CIDADE, Aline revelou que precisou ficar no país para resolver ainda algumas pendências do acidente, e o único consolo é o dos seus patrões. “Se eles não conversassem comigo, com certeza eu ia estar precisando de um psicólogo, porque é muito difícil. Além de sofrer a dor da perda da minha irmã, ainda tivemos muita dificuldade em todo o processo para levar o corpo. Hoje eu queria estar com minha família no enterro da minha irmã, mas, infelizmente tenho que resolver algumas coisas aqui ainda. Agora estou sozinha, porque só éramos nós duas aqui, mais nenhum parente ou conhecido”, lamenta a irmã.

Segundo ela, a principal dificuldade foi conseguir o traslado do corpo de Alexandra. “Fomos ao Consulado, mas, como é um transporte muito caro, eles não fazem essa parte. Se fosse para eu voltar para o Brasil, eles conseguiriam me enviar, sem eu pagar nada. Mas, no caso do corpo, é muito caro. E nós só conseguimos pagar o traslado graças a ajuda de pessoas do mundo todo, não só da Espanha ou do Brasil, mas, após divulgação na televisão, recebemos muitas doações de vários locais do mundo. Mas, depois de resolver a questão do dinheiro, ainda veio a parte burocrática da documentação”, conta.

O valor total pago pra o traslado do corpo foi de 5.345 euros, o que em real representa mais de 35 mil. Ainda conforme Aline, as duas estavam na Espanha a trabalho, visando dar melhores condições de vida para a família em Sergipe.

“No Brasil a dificuldade é muito grande. Já estou preocupada, pensando em quando eu tiver que voltar, e ficar desempregada de novo. Aqui consegui trabalho antes de completar um mês que tinha chegado. Por isso que a gente veio, para poder dar uma condição melhor aos nossos filhos e para a nossa mãe”, disse Aline.

Repórter: Laís de Melo

Foto: Ilustrativa/André Moreira