16/10/2020 as 11:13

CONSTRUÇÃO CIVIL

Menores taxas de financiamento alavancarão economia no país, diz economista

Parcelas mensais de financiamento habitacional poderão ficar mais baratas do que valores de aluguel, segundo aponta o professor de economia e economista, Neidázio Rabelo

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Conforme anunciado pelo Governo Federal, a partir do dia 22 de outubro pessoas físicas pagarão taxas menores de financiamento habitacional pela Caixa Econômica Federal no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). As taxas serão de até 0,5 ponto percentual sem juros, que passarão a variar entre Taxa Referencial (TR) mais 6,25% ao ano e TR mais 8% ao ano, dependendo do perfil do cliente.

De acordo com o divulgado, a Caixa Econômica estima conceder mais de R$ 14 bilhões em crédito imobiliário pelo SBPE, que financia imóveis para a classe média com recursos da poupança, até o fim deste ano. Nos últimos 22 meses, a Caixa reduziu os juros nos financiamentos da casa própria em 2,5 pontos percentuais. Em dezembro de 2018, o mutuário pagava TR mais 8,75% ao ano, como menor taxa.

Na avaliação do economista e professor de economia, Neidázio Rabelo, o novo programa habitacional, Casa Verde Amarela, traz grandes inovações essenciais para alavancar a economia do país por meio da construção civil. “A primeira delas é essa taxa mínima fixa de 4,5% ao ano, o que significa cerca de 0,3% ao mês. Nesse caso, se a pessoa analisar bem, uma prestação de financiamento como esse, fica até mais barato do que aluguel de uma casa correlata. Seria o momento para fazer isso”, aponta.

Mas, para além de taxas, conforme reitera o professor, houve uma diminuição das exigências para efetuar financiamento pela Caixa Econômica Federal, como, por exemplo, a possibilidade de pessoas sem parentesco poderem juntar as rendas para conseguirem o financiamento. “Isso dá acesso a muito mais pessoas. Outra inovação é para aqueles que não tem comprovação de renda, os autônomos, por exemplo. Eles vão poder comprovar renda de outras maneiras, como a movimentação da própria conta bancaria, ou da poupança, e com a essa conta poupança cidadão, que também vai servir como base para movimentação financeira. Isso também ajuda muito. Principalmente aquelas pessoas que não tem formalidade nos seus ganhos”, informa Rabelo.

Toda essa inovação, na visão dele, vai alavancar o setor de construção civil no país, que é responsável por 30% da economia. “Qualquer país que queira crescer economicamente, tem que alavancar a construção civil. Porque esse setor vai desde o tijolo ao prego, à luz; são muitos itens. É uma cadeia de produção muito grande. E também é empregadora de mão de obra intensiva. Por tanto, emprega muito. Desde o ajudante até o engenheiro, arquiteto, dono da empresa. E depois de pronto, a pessoa vai comprar a linha branca, de móveis. Ou seja, uma casa, movimenta muito”, disse.

O principal financiador da construção civil no Brasil é a poupança. De acordo com o economista, constitucionalmente a poupança tem que destinar 40% de todos os rendimentos para o setor, o que é positivo, pois, segundo ele, nunca esteve tão em alta como ultimamente.

“Pela primeira vez no mês de setembro o Brasil ultrapassou R$ 3 trilhões de reais na poupança, ou seja, vai ter muito mais dinheiro na construção civil, para a infraestrutura. Portanto, o momento é de grande expectativa. É um momento que nós vislumbramos, do ponto de vista econômico, uma melhora significativa no Brasil a partir de 2021. Teremos um crescimento próximo do chinês, de 4,5%, e 5% ao ano. Isso porque todas as bases da economia estão sendo bem plantadas, bem geridas. Como é o caso da infraestrutura, da Reforma Tributária, Pacto Federativo, Reforma Administrativa. Tudo isso vai nos levar a um crescimento como o Brasil nunca experimentou antes”, acredita o economista.  

|Repórter: Laís de Melo

||Foto: Arquivo JC