24/04/2018 as 16:45

Exposição fotográfica sobre o Rio São Francisco é lançada na Galeria de Arte J. Inácio

“Pelas Águas” reúne 17 fotografias que mostram paisagens do rio.


Exposição fotográfica sobre o Rio São Francisco é lançada na Galeria de Arte J. InácioFoto: Pritty Reis

Despertar o olhar para a magnitude do rio São Francisco e refletir sobre sua preservação. Este é um dos objetivos da instigante exposição “Pelas Águas”, idealizada pelo artista visual Mozart Daltro, lançada nessa segunda-feira, 23, na Galeria de Arte J. Inácio. A mostra, que foi contemplada pelo Edital de Ocupação da Galeria, conta com 17 fotografias do Rio São Francisco, enfocando sua nascente e o percurso da correnteza nos estados de Minas Gerais, Sergipe e Alagoas, por onde banha cidades e trilha caminhos.

 

Sobre a relação com a obra, Mozart conta que a ideia surgiu como uma espécie de terapia pessoal, tendo em vista o seu amor pelo rio e por cidades banhadas por ele. “Tudo começou a partir de uma viagem de carro que fiz para o sul, onde no percurso estava o estado de Minas Gerais – local que fica a nascente do rio São Francisco. Quando eu comecei a visualizar essa paisagem, essa energia de um rio que nasce tão pequeno e deságua em outros estados com tanta magnitude, me veio a inspiração para este trabalho. Isso é algo encantador”, revelou.

 

Presente no lançamento, o superintendente executivo da Secult, Irineu Fontes, elogiou o trabalho de Mozart e destacou a importância do edital de ocupação como porta de divulgação do trabalho dos artistas, proporcionando à sociedade sergipana eventos culturais relevantes. “Este é o terceiro ano consecutivo no qual as exposições realizadas na Galeria de Arte J. Inácio são definidas através de um processo seletivo democrático. Esta é uma política consolidada que deve ser celebrada em momentos como os de hoje, onde temos um artista de grande nível mostrando um trabalho maravilhoso”, destacou.

 

De acordo a diretora da Galeria, Jane Junqueira, o edital recebeu várias propostas de artistas sergipanos e de todo o país para expor ao longo de 2018, das quais foram selecionadas seis. “Essa é segunda exposição que estamos realizando este ano. A Galeria J. Inácio tem atuado no sentido de construir público para as artes, por isso é importante que as pessoas visitem este espaço sagrado das artes e conheçam o trabalho desses grandes artistas”, disse.

 

A mostra segue aberta ao público até o dia 22 de maio, com visitas das 9 às 17 horas. A Galeria J. Inácio fica em anexo à Biblioteca Pública Epifânio Dória, localizada na Rua Dr. Leonardo Leite, s/n, Bairro 13 de Julho, Aracaju – SE. Grupos e escolas interessados em visitar a exposição podem entrar em contato pelo telefone (79) 3179 – 1969.

 

Sobre a exposição

 

A exposição propõe levar o público por três vias: a investigação, a memória e a interação, através de imagens que não buscaram captar apenas o instante, mas que instalam e questionam deliberadamente o tempo. A sequência das fotos não é apenas um jogo de formas e materiais, é a visão do artista do mundo, que transforma uma hidrelétrica desativada em um local onírico que também questiona, graças a sua força e a sua universalidade.

 

Durante a mostra são apresentadas cinco séries fotográficas. Na primeira, constam quatro imagens da nascente do São Francisco, uma do ponto mais alto, localizando a estátua do “Chico”, a outra da Casca D’Anta, acompanhada pelas primeira e segunda quedas d’agua. Na segunda série são apresentadas cinco imagens das circunvizinhanças da cidade de Piranhas, suas correntezas, a pesca, as cachoeiras e o ponto mais alto onde foi construída uma igreja.

 

Na terceira, série de imagens o artista observa os Cânions e a antiga hidrelétrica de Delmiro Gouveia, atualmente desativada. Na quarta série de imagens da exposição chega-se a Canindé de São Francisco por caminhos ribeirinhos que emblematicamente nos impressiona por sua força imagética provocando questionamentos sobre a preservação do rio e a sua importância para o Brasil.

 

Por fim, a quinta série das imagens da exposição ‘Pelas Águas’, são imagens noturnas que evocam memórias e permite uma interpretação criadora do receptor e, portanto, do observador das obras apresentadas, reafirmando a ideia de que a arte é triangular. “Já faz três anos que me dedico a esse trabalho. Essa exposição é um fragmento de um projeto maior, que exigirá de mim mais alguns anos de dedicação. O próximo passo é registras aspectos da fauna e da flora que circunda o São Francisco”, revelou Mozart.