06/06/2018 as 14:43

Cultura

Viva a diversidade alternativa!

Numa aposta de multiplicidade de sons, festejos juninos mostram que no ‘país’ tem muito mais que forró.


Viva a diversidade alternativa!

Na contramão de uma homogeneidade velada dos festejos juninos, ocupando espaço e esquentando fogueiras, um dos mais tradicionais arraiás do estado se rendeu à diversidade de sons, apostando numa multiplicidade canções, na heterogeneidade de ritmos que têm identidade no palco e afetividade no público. Na 25ª edição do Forro Siri, que acontece em Nossa Senhora do Socorro, um palco alternativo com apresentação de artistas locais e dos mais variados gêneros musicais integram a programação junina, reunindo o forró ao reggae, ao hip hop, ao samba de coco e muito mais.

“Em mais de vinte edições de Forró Siri sempre se privilegiou a lógica de participação de bandas que o público consome. Mas agora, com o Palco da Diversidade Cultural a lógica é jogar luz sobre o que as pessoas, os artistas da cidade produzem. E então, temos mais de 30 artistas socorrenses participando desse grande evento, com forró, reggae, cultura popular hip hop, possibilitando que artistas apresentem a arte ao público que não conhece e aos que conhecem também e vão admirar, curtir. Essa é a ideia, mostrar o que culturalmente está sendo produzido em Socorro”, explicou a produtora e secretária adjunta de Cultura de Socorro, Carol Westrup.

Na missão de estrear no Palco da Diversidade Cultural, a banda socorrense Missionários do Reggae apresentou as músicas de um novo disco que está em produção e trocou ideias, musicalidade e aplausos. “Para nós esse tipo de oportunidade é muito gratificante, pois é a nossa cidade, a nossa música sendo compartilhada com um público que muitas vezes não aparece em nossos shows por diversos motivos, muitos desconhecidos. A gente tem um trabalho, uma identidade e a gente tem também uma reciprocidade bacana daquele pessoal que nos acompanha. Então, poder tocar para mais gente, em nossa cidade é muito bom”, afirmou o baterista Kelvin Lion.

Para Vinícius Melodia, vocalista da Missionários do Reggae, a pluralidade sonora une tribos e possibilidade que mais conheçam outros estilos de música e passe a gostar. “A gente tem feito viagens para Natal, no Rio Grande do Norte, e temos divulgado o nosso estado, que muitos conhecem como o ‘pais do forró’. Mas, aqui também tem samba, hip hop e reggae, sendo possível todo mundo conviver junto, cantar junto e ocupar espaços. No Rock in Rio não tem show da Ivete, todos os sons num mesmo evento, então a gente também faz. E o Palco da Diversidade Cultural no festejo junino do Forró Siri chega para agregar, possibilitar os artistas a mostrar o trabalho, o que está sendo feito e o público conhecer, gostar e consumir o que é nosso também”, afirmou.

Também presente no Palco da Diversidade Cultural, o DJ Rafa Aragão, da Global Beats, ressaltou a importância da ação e da multiplicidade junina. “A iniciativa do palco da diversidade cultural no Forró Siri foi muito boa. Primeiro, porque eles deram preferência aos artistas de Socorro, que nem sempre têm essa oportunidade. Segundo, porque apostaram na mistura de estilos. Isso é uma tendência. No Carnaval, a gente já vê palcos voltados para samba, forró e eletrônico. O São João também pode ser uma festa plural, sem perder o foco nas tradições, porém dialogando com outros gêneros e estilos. Acho que todos ganham. A festa, os artistas e, principalmente, o público”, afirmou.

Afetividade

Identidade e afetividade são duas palavras chaves para representar a iniciativa do Palco da Diversidade Cultural, uma vez que artista e público trocam particularidades culturais num ambiente festivo. “A galera que já curte o som e não frequenta o Forró Siri, vai curtir agora. A galera que não conhece também vai curtir e conhecer, e os amigos e familiares também. É a questão da afetividade, dessa relação que existe em ver o colega, o amigo no palco tocando. É muito legal isso”, declarou Carol Westrup.

Para quem já curtiu o Forró Siri por anos através do ângulo público e este ano se fez atração numa iniciativa inovadora, a gratidão é somada ao vocabulário do Palco da Diversidade Cultural. “Eu já curti muito o Forró Siri, no João Alves, lá com galera para ver os artistas. Hoje, eu sou o artista, a galera vai me ver. E fazer parte disso, observar a festa por num outro lugar, e no lugar que eu gosto de estar, como artista, é muito bom”, disse Kelvin Lion.

Por Gilmara Costa/ Equipe JC