13/06/2018 as 17:08

Cultura

Tem forró ‘soundsystem-indie moderno’ sim, sinhô!

Músicos evidenciam o ritmo nordestino numa miscelânea sonora do tradicional e contemporâneo.


A fogueira da musicalidade também ‘queima’ em homenagem a São João e artistas dos mais diversos ritmos se reúnem no palco com montagens múltiplas e sonoridade mescladas para fazer do festejo junino uma grande diversão à base de forró somando ao rock, soundsystem, música popular, elementos folclóricos e muito mais. Trio Certeiro, Seu Biná e Baião de 3 são algumas das formações que evidenciam o xote, baião e o arrasta pé em canções de outras ‘tribos’ e mesmo as influenciadas e com um ou outro elemento do gênero musical que faz de Sergipe um país durante o mês junho.

“Acredito que essa ansiedade dos sergipanos pela famosa ‘melhor época do ano’, nos impulsiona a experimentar essa mescla de sons, juntando o orgânico ao eletrônico, ao soundsystem jamaicano. Essa é a proposta do Trio Certeiro, que tinha uma pegada mais reggae, e que este ano está mais ‘sound’. É uma maneira de homenagear nossa cultura e misturar com essa tendência mundial de sonoridade que está acontecendo. Não estamos fazendo nada de novo, mas apenas experimentado, com a nossa cultura em evidência, fazendo mesmo valer que ‘Sergipe é o país do forró’”, afirmou Vinícius Chukro, integrante da banda Mestre Madruguinha e que se juntou a Thiago Ruas e Danyel Nanume na formação do Trio Certeiro.

Ainda segundo ele, para além de canções consagradas no repertório junino, que incluem o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e Jackson do Pandeiro, releituras de músicas de artistas sergipanos de outras vertentes musicais, ainda que apresentem os elementos do xote, por exemplo, ganham versões ainda mais juninas. “Vemos músicas da The Baggios, que tem a presença do xote, mas com a pegada rock roll da banda, e que no repertório da Baião de 3 ganha mais elementos do forró, e fica um autêntico xote. Isso é bom e de grande significado, pois divulga o que é e está sendo produzido aqui. Ainda tem as canções eternizadas do tradicional pé de serra, com a sanfona, triângulo e zambumba, bem como músicas da banda Baiana System no repertório do grupo Seu Biná. É a tradição e o contemporâneo juntos na celebração a essa época do ano”, explicou Vinícius. 

Para o músico Adão Alencar, também da Mestre Madruguinha e que junto a Vinícius Big Jonh, Rafael Ramos e Danyel Nanume formou o quarteto pé de serra indie moderno, Seu Biná. “Esse é o terceiro ano seguido desse projeto que nasceu diante da necessidade de homenagear a cultura de São João, o nosso Nordeste, crescemos com os festejos juninos, ouvindo forró e, então, fomos nos juntando e definindo o repertório de acordo com as nossas influências, gostos musicais, dando uma nova interpretação ao forró. É também um momento em que os músicos da cena alternativa mantêm a circulação nas casas de shows, apresentando outras opções de shows que não os dos grandes arraiás gratuitos da cidade. E nessas formações se misturam os estilos musicais, fazendo releituras a serviço do forró, mantendo a tradição”, afirmou Adão.

Veterano na mistura de sons, e com acesso livre aos elementos do forró, o músico Alex Sant’Anna, chamou Léo Airplane e Betinho Caixa D´Água e criou o Baião de 3 diante da necessidade-tocar-gostar de forró. “Diferentemente de outros grupos de rock que estão montando repertório de forró, no nosso caso, a gente faz forró desde 2001, pois fizemos parte da Naurêa, que tinha como base o forró. Então, o forró sempre foi fluente, o combustível e a ferramenta base para o nosso som, mesmo que a gente usasse outros elementos. E a partir do momento que saí da Naurêa, senti a necessidade de tocar forró porque eu gosto de tocar mesmo. E na montagem do repertório, além de artistas que gosto, e músicas minhas como ‘Ileso’, ela é um xote com outros elementos, toco ela nos shows com o triângulo. Então, o forró está lá, mas com o Baião de 3, ela fica mais evidente. O que eu faço é deixar essas influências do forró mais evidentes, o mesmo acontece com a música da The Baggios e Marcos Vilane que estão no repertório e que são xotes, mas têm uma pegada mais rock e MPB, respectivamente. E que na Baião de 3 fica evidente o xote”, explicou Alex Sant’Anna.

Por Gilmara Costa da Equipe JC