10/04/2019 as 10:15

Música

Nanã Trio alegra coração com o show ‘Flor de Mandacaru’

Apresentação acontecerá na próxima sexta, 12, no Café da Gente


Nanã Trio alegra coração com o show ‘Flor de Mandacaru’

Numa celebração aos três anos de existência e ao feminino musical, Nanã Trio apresenta o show “Flor de Mandacaru - A mulher na música nordestina”, no próximo dia 12, no Café da Gente. Nele, Glória Costa, Lygia Carvalho e Rebecca Melo passeiam pela obra diversa de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Pepeu Gomes, Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Acompanhadas por Denisson Cleber, Kelvin Farias, Rafael Jr. e Ton Toy, elas também interpretam músicas sergipanas de autoria de Chiko Queiroga & Antônio Rogério e de Joésia Ramos. Ainda no palco, as participações especiais de Lina Sousa, Lucas Campelo, Julia & Laura.


“Estamos em constante construção, mas tentamos manter uma coerência conceitual e estética, e um apuro, em termos de pesquisa e preparação, que interligam todos os projetos. Especificamente o “Flor de Mandacaru” chegou num momento em que buscávamos trazer um repertório para atender ao público que não é só amante de Chico, mas da música popular brasileira como um todo – e em especial os compositores nordestinos –, buscando manter o fio condutor da proposta, que funcionou muito bem e que nos movimenta por dentro, que é essa exaltação ao feminino. Dentro de um novo recorte, contudo, a gente traz influências das experiências mais profundas que vivenciamos na pesquisa da nossa cultura regional”, explicou Rebecca Melo.


Ainda sobre o repertório, Glória Costa revela algumas das canções que integram o novo show. “Escolhemos homenagear mulheres que figuram, por exemplo, em composições de Gilberto Gil (Sandra); Caetano Veloso (Tigresa, Luz de Tieta), Djavan (Pétala), Lenine (Todas Elas Juntas num só Ser), Geraldo Azevedo (Moça Bonita, Dona da Minha Cabeça), Alceu Valença (Tesoura do Desejo, La Belle de Jour), Dominguinhos (Feito Mandacaru), Chico César (Mama África) e Zeca Baleiro (Salão de Beleza) – só para citar algumas. O roteiro caminha da litorânea Sexy Iemanjá (de Pepeu Gomes) até a Ave Maria Sertaneja (de Luiz Gonzaga), passando pelo Cordeiro de Nanã (de Mateus Aleluia) – figuras femininas sagradas também, representando a fé típica da cultura nordestina”, afirmou.

Enriquecem ainda o roteiro, assinado por Glória Costa, obras dos conterrâneos Chiko Queiroga & Antônio Rogério (Mestiça) e a nossa querida Joésia Ramos (Diacho de Mulher). “Lina Sousa, que também é uma grande compositora, nos brindará com uma participação especial e Lucas Campelo interpretará Anastácia, uma figura feminina forte e decisiva para a música nordestina, inclusive para a obra de Dominguinhos – seu objeto de pesquisa maior. A gente traz, ainda, a participação das pequenas Julia e Laura, que representam uma nova geração feminina na música nordestina. Elas são filhas de Bob Lelis, que além de unir a todos com o seu projeto de circulação e difusão da cultura regional (a Rural do Forró) nos brinda também com essas duas meninas lindas, que encantam a todos sempre que cantam”, disse Lygia Carvalho.

Formação
Inspiradas em grupos pré-existentes, como Quarteto em Cy, MPB 4 e As Moendas, de Lina Sousa, primeira orientadora vocal do Nanã Trio, Glória Costa, Lygia Carvalho e Rebecca Melo estrearam com a exploração da obra do cantor e compositor Chico Buarque, em novembro de 2017, com o show “À Flor da Pele”. Em seguida, mantendo a musicalidade da voz alinhada com a representatividade do feminino em letra e melodia, o trio se rendeu às tradições juninas e apresentou o projeto “Mungunzá”.

“Chico veio quando percebemos que precisávamos fechar um repertório inicial para colocar Nanã Trio no palco, após mais de um ano de estudo e preparação. Precisávamos de um mote forte, que nos tocasse a alma e, através do recorte do feminino presente em sua obra, conseguimos transmitir um pouco do nosso propósito. Nesse passeio em busca da nossa identidade, já no segundo projeto, saímos de Chico e fomos fazer um mergulho nas nossas raízes, na cultura regional, que originou o repertório ‘Mungunzá’, decisivo para a maturação do grupo e que nos colocou nos maiores palcos do ciclo junino, nos proporcionando experiências incríveis e inesquecíveis, como o show do Arraiá do Povo, na noite de São Pedro. Inesperadamente, tivemos grande receptividade do público em ambos os projetos. E este que estrearemos agora, ‘Flor de Mandacaru’, é um encontro conceitual entre os dois primeiros”, explicou Lygia Carvalho.

Numa reciprocidade surpreendente, trio e público avançam na pesquisa de novos projetos musicais, mais conquistas de palco e releituras musicais em força e voz feminina. “A gente nunca deixa de se surpreender com o público, porque as pessoas são sempre muito receptivas e carinhosas conosco. É como se fosse uma coisa de energia mesmo. O público parece sempre ter entendido que a gente não tenta entregar perfeição, mas todo o amor pelo que a gente faz, pela arte, pela música; com todo o esmero, cuidado e um apreço imenso. Talvez por isso temos recebido de volta e em dobro todo o sentimento bom que depositamos no preparo de cada projeto”, declarou Rebecca Melo.

E sobre aos caminhos a serem brevemente percorridos, Glória Costa fala sobre um trabalho autoral. “No planejamento que fizemos no início do ano pensávamos em estrear mais um show novo no segundo semestre – depois, claro, do ciclo junino, porque a gente não abre mão de jeito nenhum! Mas, pensando melhor, reconsideramos e entendemos ser necessário no segundo semestre amadurecer ainda mais o Flor de Mandacaru e começar a construção de um trabalho autoral, através de imersões voltadas para o exercício de composição coletiva. Isso, sim, é um anseio do nosso público. As interpretações e releituras seguem no nosso horizonte, em paralelo, mas estamos sentindo que está chegando a hora de fazer brotar um trabalho só nosso”, revelou.